Mostrando postagens com marcador Pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pensamentos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Folha Em Branco


A sua lixeira cheia de bolas de papel amassado contrastava com a sua mente vazia de ideias. Pensamentos passavam por sua cabeça, mas eram desconexos, não formando uma linha de raciocínio o suficiente para gerar uma crônica. Pensava em escrever sobre sua família, sua vida, sobre uma música, ou até sobre seu animal de estimação. Buscava personagens no seu cotidiano, mas nada encontrava. Até que, em um desses rascunhos, se pegou escrevendo sobre o ato de escrever.
Escrever, ele pensou, é algo tão puro quanto o ato de dar à luz a um filho, tão suave como o grafite que massageia o papel e tão extraordinário como o dedo que toca nas teclas do teclado e, por meio de um sistema tão complexo como as conexões neurais do nosso cérebro, faz as letras aparecerem na tela de um computador. O espaço em branco, para o escritor, é um doloroso desafio que é vencido a cada letra que surge. É uma tela pronta para ser pintada por palavras que podem se originar em sentimentos, emoções ou lembranças.
Dentre as formas de comunicação, a escrita não é a mais antiga, porém, é a mais capaz de vencer a efemeridade da vida. Tudo que sabemos hoje sobre nós mesmos e onde vivemos foi passado de geração a geração através de textos documentando ideias das mais variadas origens, como um físico registrando suas descobertas ou um poeta expressando seu olhar sobre a vida.
Como um homem de palavras que sempre foi, encontrava mais entusiasmo no processo de entender a si mesmo e o mundo em sua volta através de palavras do que de números. Ainda assim, sabia o valor deles, afinal, os dois já foram um, na Roma Antiga. Entretanto, pensava que os números eram exatos demais, diferente da vida e sua subjetividade.
Escrever é algo que vem de dentro pra fora. É a externização do mais profundo que há no ser humano. Ao contrário de artes como música ou pintura, uma pessoa não precisa ter um talento especial para compor um texto. Se ela conseguir transmitir sua ideia e respeitar a gramática,  já é o bastante. "Eu mesmo sou a prova disso.", considerou. Já a inspiração, fundamental para um escritor principiante e apenas bem vinda para um profissional — que precisa aprender a escrever sem tê-la —, é uma das melhores visitas que o escritor pode ter. Por vezes inconveniente, ela o visita em sua cama, quando está tentando dormir, na rua, ou até no banheiro. Essa "entidade" não respeita tempo nem lugar. E isso o fazia amá-la e odiá-la.
A inspiração é responsável por seus devaneios, a materialização em palavras de seus anseios e dúvidas e, além de tudo, nunca pede nada em troca. Ela vem, dá o ar que o escritor inspira e exala em forma de letras e vai embora. E, enquanto ela partia, sem data para voltar, ele contemplava aquela folha completa de palavras e percebia que, ele próprio, estava completo. Ao menos até a próxima folha em branco.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Conscientização Coletiva e o Jornalismo de R$ 0,20

Sabe o que acho interessante nessa onda de protestos em São Paulo (e em várias outras capitais)? Jornais de grandes emissoras que muitas vezes passam vídeos fofos de animais ou bebês que fazem sucesso na internet e ignoram vídeos realmente importantes como os gravados ontem em que policiais atacam os manifestantes, que gritavam "Sem Violência" e jornalistas, que estava fazendo seu trabalho. Jornais que enchem a boca para falar de imparcialidade, quando só quem não quer ver não percebe que eles defendem X partido/ideologia político escondendo ou "suavizando" suas ações, enquanto colocam a culpa no lado mais fraco (que, como vemos, tem se fortalecido).

Enquanto os que têm acesso a internet e se interessam um pouco em saber o que acontece, sabem o que realmente está acontecendo, grande parte da população aceita qualquer coisa que a grande imprensa diz. Essas pessoas não sabem que policiais atiraram em manifestantes que não eram vândalos, em jornalistas e em pessoas em seus apartamentos apenas por estarem filmando.
Mas isso é um processo lento. Acredito (ou, pelo menos, quero acreditar) que nossa passividade vai, aos poucos, ser substituída por um desejo de mudança. Não que todos vão sair para a rua para protestar. Só em se interessar em votar em quem realmente está disposto a defender o povo, e não em quem tem uma cara bonita, já será uma grande vitória.

Os protestos são apenas o início de uma conscientização coletiva. Quando não violentos, são altamente válidos, até porque eles têm exposto a verdadeira face da PM (que responde ao Estado). As atuais gestões têm covardemente reprimido quem protesta nas ruas, mas elas não podem fazer nada quando são vencidas nas urnas.

EDIT 16/06:
Observando e pensando no que tem acontecido, acho que é até provável que uma mudança no governo (ou na forma de governar) aconteça, mas não por causa dos protestos em si, das ações dos protestantes, mas por causa da incrível incompetência da polícia (que atira até em repórteres, inclusive internacionais, e em áreas com mães e crianças aqui no Rio de Janeiro) que está ficando MUITO feio.
O governo e a prefeitura fazendo de tudo para que a ação da sua polícia não seja vista — chegando ao ponto de desligar as câmeras da CET Rio — está pegando mal demais.

Sim, os protestantes causaram isso, mas indiretamente.
Eles estão servindo apenas (não no sentido de "só", pois isso é uma grande coisa) como agentes catalisadores que mostram a verdadeira face daqueles que supostamente deveriam nos proteger.
A culpa principal é do próprio despreparo da polícia e da censura do Estado, que não sabe lidar com a situação e está atirando no próprio pé.


Quantos aos protestantes, está ficando bem claro que faltam duas coisas fundamentais: foco e liderança. Já é sabido, pelo menos por nós, que os protestos já não são mais apenas pelos preços das passagens. O problema é que os protestos englobam muita coisa, como corrupção, gastos na Copa, melhora na educação e na Saúde, e acaba que ninguém se entende, e a mídia continua noticiando que são por causa das passagens — felizmente algo que está começando a mudar.
Até o movimento ter uma real direção, cada um protestará por uma coisa, ninguém se entenderá e todos vão apanhar. Por outro lado, o quanto mais apanham, o movimento se fortalece. 
Não me entendam mal. Admiro e fico feliz de ver o povo finalmente se levantando, mas o movimento precisa evoluir.

_O site http://nomovimento.com.br/ está organizando/compilando as informações sobre os manifestos ao redor do Brasil.

_Tumblr com relatos de pessoas (muitas delas foram feridas) que estiveram no protesto do dia 13/06/2013 em São Paulo: http://feridosnoprotestosp.tumblr.com/

sábado, 15 de dezembro de 2012

Armas matam pessoas, sim.

Vamos chegando no final de 2012 e somos surpreendidos, mais uma vez, por um atentado com armas de fogo nos Estados Unidos (mais uma vez). O sétimo só nesse ano. Se já não fosse terror o suficiente o último em que um maluco vestido de Coringa entrou atirando num cinema, matando 12 pessoas e ferindo 38, agora temos um atirador, numa escola primária, que matou 20 crianças e 6 adultos. Foi o segundo ataque com mais vítimas na história dos Estados Unidos (em 2007 um estudando coreano deixou 33 mortos numa universidade na Virginia), mas que choca ainda mais por ter sido cometido contra crianças.

Ataques como esse sempre levantam a questão da regulamentação das armas no país, que é próximo a 0. Obama comentou, emocionado, sobre o atentado de hoje, mas falou que não é hora de discutir o assunto. Na verdade, é o momento perfeito. As pessoas precisam falar sobre isso. A cada vez que o assunto não é discutido, é tarde demais. Às vezes é melhor discutir no calor do momento do que adiar indefinidamente a discussão enquanto inocentes morrem. E mais difícil do que entender como uma pessoa é capaz de matar crianças a sangue frio, é entender como, após tantos massacres como o de hoje, tem gente que consegue não defender um controle rigoroso de armas nos EUA. Desde Columbine, em 1999, estima-se que aconteceram 14 ataques a escolas em todo o mundo. Nos Estados Unidos, nada menos que 31. Mais que o dobro.

"Mas é um problema cultural lá, eles sempre tiveram armas". Já passou da hora dessas pessoas (a Direita, principalmente) pararem de pensar no próprio nariz. A mesma lei que as permite ter um monte de armas, incluindo armamentos militares, para "se defender" permite que esses psicopatas cometam esse tipo de atentato todo ano. Sempre têm aqueles que vão dizer: "Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas". É como se quisessem tirar a responsabilidade da arma de fogo, quando o próprio objetivo dela é ferir ou matar — daí o nome, arma. Fora que é a mesma lógica que dizer que aviões não voam. Pessoas voam. Um é meio para o outro. Ok, pessoas matam com outros tipos de arma, mas não tem como comparar a letalidade. Hoje mesmo na China um homem foi preso depois de ferir 22 crianças com uma faca. Quantos mortos? NENHUM. Em 2010 teve uma série de atentatos com facas a escolas, também na China, com o total de 20 mortos. O número de vítimas fatais num atentado com armas de fogo é massivamente superior ao com facas, por exemplo. E o que a China fez: obrigou pessoas que compravam facas grandes a se registrar com suas carteiras de identidade. Não foi uma medida extrema (até porque facas não tem como o único objetivo matar), mas ajudou a controlar a situação na época.
E se alguém me responder por que um cidadão normal precisa desse tipo de arma para se defender, ajudaria nessa discussão:


Sim. Essa foi uma das armas usadas no Massacre na escola de Connecticut.

Aí vem um americano no twitter me perguntar: "Então você acredita que criminosos seguem leis de armas (no caso, de controle de armas)? Se uma lei para desarmar cidadãos fosse aprovada, apenas criminosos estariam armados. O quão seguro é isso?"

O que eu penso, e que foi mais ou menos a minha resposta: Aham, todo mundo portando armas é MUITO mais seguro... Quantos desses atiradores, foram parados por cidadãos comuns armados? Geralmente eles têm três fins: são presos (o mais raro), se matam, ou são mortos por policiais. Muitos criminosos nos EUA compram armas legalmente. Tendo um controle, criminosos não parariam de comprar armas, mas pelo menos dificultaria o processo de conseguí-las, e o Estado não estaria "patrocinando" essas tragédias. Como morador de um país violenta, onde cidadãos comuns não compram armas, tenho certeza absoluta que se tivéssemos armas, não adiantaria nada. E que uso teria pra mim um rifle automático com mira e o escambau?

Não só nos Estados Unidos é permitido que cidadãos comprem armas, mas é lá que a maior incidência de eventos violentos como o de hoje ocorre. Meu objetivo não é entrar na discussão do porquê que tantas pessoas fazem isso. Mas sim o porquê de tantas pessoas terem ferramentas para fazer isso.
Quando você tem um paciente suicida, a primeira coisa a fazer é tirar a faca (ou qualquer coisa que ele possa usar contra si mesmo) de perto. E então ele será tratado psicologicamente. Talvez esse seja o caminho a se tomar. Tirar, ou controlar, a ferramenta que causa a destruição, para então tratar a sanidade mental de uma nação onde pessoas têm sofrido tanto com guerras e tragédias.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Arte não muda. Nós mudamos.

Você já mudou de ideia em relação a algum filme, música ou qualquer outra expressão de arte? Como se você não gostasse num momento e mais tarde começasse a gostar, ou vice-versa.
Isso acontece comigo com uma certa frequência. Músicas que eu eu não gostava e aprendi a gostar com o tempo. Ou filmes que, antes sem graça, agora parecem algo perto de uma obra prima. O contrário também acontece, claro.

Um exemplo recente disso é o filme "Inverno da Alma", que vi pela primeira vez para comentar aqui no blog, já que era um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme de 2011 (a crítica pode ser lida aqui). Era o "underdog" daquela lista que continha filmes como "O Discurso do Rei" (que ganhou a estatueta), "Cisne Negro", "O Vencedor", "A Origem" etc. Foi o filme que "apresentou" Jennifer Lawrence ao mundo. Até então atriz desconhecida, ela foi indicada como Melhor Atriz pela bela atuação como Ree. Apesar da indicação, ela só foi estourar depois com "X-Men: Primeira Classe" e "Jogos Vorazes". O filme ainda contou com outro desconhecido, John Hawkes, que interpretou Teardrop, simplesmente um dos melhores personagens do ano. Mas a disputa na sua categoria (Ator Coadjuvante) era cruel e ele não teve a mínima chance contra Christian Bale (por "O Vencedor") — e ainda tinha Geoffrey Rush.

Por que estou "ressuscitando" "Inverno da Alma" aqui no blog? Porque um dia desses revi o filme e tive uma outra impressão sobre ele. Pelo que eu escrevi sobre o filme ano passado, dá pra perceber que eu achei um bom filme. E só. Nem digno de estar na lista de melhores filmes de 2011. Porém, revendo mais de um ano depois, vi o filme com outros olhos. Se antes eu o achava muito lento e com problemas no desenvolvimento da história, dessa vez achei que o ritmo não poderia ter sido melhor. O filme continua sendo meio lento, porém coeso com o modo de vida daquele lugar, que parece parado no tempo (em nenhum momento você vê uma televisão na casa das pessoas da comunidade, por exemplo).

O que eu quero ilustrar com esse exemplo é como nós mudamos nossa percepção da Arte com o tempo, seja por enxergarmos aspectos técnicos antes não vistos, ou simplesmente relacionarmos o que estamos vendo ou ouvindo à alguma experiência vivida. Algo no meu modo de ver mudou de lá pra cá. Para pior ou para melhor. Pessoalmente eu gosto de pensar que amadureci um pouco o meu "faro" para a 7ª Arte (rs) — algo que venho tentando fazer nos últimos anos. Isso não acontecerá com todos os filmes, é claro, mas existem certos elementos que você vai enxergar de maneira diferente com o passar do tempo. Não porque eles mudarão, mas porque você mudará. A Arte é imutável e independente do tempo. Mas a mente humana não. Por isso tantas obras (filmes, músicas, quadros, poesias etc) que foram subestimadas na época em que foram criadas hoje são adoradas. Van Gogh, que só vendeu um quadro durante sua vida, hoje é reconhecido como um gênio da pintura. O Homem mudou de lá pra cá. Sua ideia de Arte evoluiu — e está em constante evolução.
E a capacidade do Homem, que hoje mais do que nunca vive em função do tempo, criar algo atemporal como a Arte é uma das contradições mais lindas que existem.


"O filme nunca muda. Não pode mudar. Mas cada vez que você vê parece diferente porque você mudou. Você vê coisas diferentes." - James Cole (Os 12 Macacos)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rascunho

Olhava para ele com um tom de afeto, mas também de repúdio. Esse nunca foi o plano. Como foi chegado esse ponto? Um desvio de rota nunca foi planejado.
Nele, via uma vontade de viver singular. Uma força tamanha que não o permitia se dar por vencido, porém, não tão grande para fazê-lo não parar de caminhar.

Via sua vida sob tons acizentados, olhava pela janela e ansiava pelo mundo em cores...
Esperava o dia em que a palavra "vida" deixasse de ser uma mera palavra para se transformar num sentimento, num estado de espírito. Enquanto o dia não chegava, ele apenas existia.
Cada novo dia, uma elegia ao dia anterior desperdiçado.

Mas via tudo como um grande aprendizado. Sobre si mesmo, sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o mundo. Pensava que sua história poderia ter sido diferente. Lembrava de certa vez em que lhe disseram "se deixe ajudar". Como sempe foi muito reservado, se sentiu meio afrontado.
Hoje vê que se tivesse sido um pouco mais aberto, as coisas poderiam ter sido um pouco diferentes.

Mas, tentando não se apegar ao ontem que foi e ao como hoje poderia ter sido, tentava se focar no amanhã que poderá ser. Ele conseguia caminhar, mas ainda faltava algo. A força que não o permitia desistir ainda não era o bastante para fazê-lo continuar, sem parar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Justiça ou vingança?



No fim da noite do primeiro domingo de maio de 2011 o mundo recebeu uma notícia que talvez nem esperava mais: Osama Bin Laden tinha sido morto numa operação militar dos Estados Unidos.
Enquanto muitos pensavam que ele estaria vivendo em alguma caverna ou montanha no meio do nada, o líder da Al-Qaeda e orquestrante do atentato de 11 de setembro, estava vivendo numa mansão no Paquistão.

Mas o que me chamou mais atenção nessa história foi o êxtase coletivo que contagiou os americanos. Nós brasileiros não temos um inimigo tão significativo como o Bin Laden era para os Estados Unidos. Sabemos que os americanos sofreram com o atentado ao World Trade Center, e desde então têm vivido em constante medo de outros atentados. Mas essa euforia nacional em torno da morte dele meio que me assusta. Esse desejo de morte como vingança ou justiça soa meio assustador.
Lembro de um dos últimos debates entre o Obama e o McCain na disputa presidencial em 2008. Em um dos assuntos do debate o Obama falou: "Vamos achar o Bin Laden e matá-lo". Simples assim. Não sei se é por não termos pena de morte aqui no Brasil, mas eu achei isso meio absurdo ja na época, e agora vejo a concretização disso e o orgasmo nacional que causou...
No discurso anunciando a morte de Bin Laden, Obama declarou que "A justiça foi feita". Mas como assim? Sem julgamento? Foi só invadir a casa e fuzilá-lo? Isso não me parece certo. Essa filosofia de "olho por olho" é muito perigosa. E o mundo também não é "um lugar melhor e mais seguro". A ideologia de Bin Laden vai continuar sendo perpetuada pelos seus seguidores e pelos extremistas islâmicos.

Não estou dizendo que devemos chorar pela morte de uma pessoa como o Osama Bin Laden. O luto não existe. Mas essa celebração histérica também não deveria existir.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PTfobia e Eleições.

Esses dias eu estava convesando com um amigo sobre esse grande movimento anti Dilma Rousseff. Boatos se juntam com meias verdades e verdades usadas as vezes fora de contexto. Mas qual seria o motivo de tanto alarde?
Seria a falta de experiência da Dilma? O seu passado meio desconhecido e nebuloso? O jeito meio brucutu que as vezes ela apresenta, ou a sua falta de eloquencia?
Talvez um pouco de tudo isso. Mas acho que o motivo também seria bem maior que a Dilma em si.

Desde a retomada da democracia essa pode ser a primeira vez que um partido governa o Brasil por três mandatos consecutivos. E logo um partido (outrora) de esquerda em que sua maior figura, Lula, tem relações muito próximas e condescendentes com figuras como Hugo Chavez e Mahmoud Ahmadinejad. Lula já expressou vontade de se eleger novamente em 2014. Se Dilma for eleita - e a mentalidade do povo continuar a mesma - é muito provável que Lula se candidate novamente daqui a 4 anos e consiga se eleger novamente. Lembrando que ele está deixando a presidência com o maior índice de aprovação jamais alcançado. Se tudo ocorrer desse jeito - que não seria uma coisa absurda - ele ainda poderia concorrer ao 2º mandato. Ou seja, nesse cenário o PT governaria por 20 anos.
Assim como Chavez faz na Venezuela, Lula parece estar disposto a montar um longo governo do PT, mas por vias "legais". Lula é mais inteligente e carismático que Chavez, e sabe disso. Na época em que se discutia a possibilildade de mudar a Constituição para permitir um terceiro mandato, ele negou e recusou qualquer intenção de fazer isso. Talvez sabendo que sua popularidade elegeria até um poste.

O seu carisma faz o povo (pelo menos, grande parte) esquecer os escândalos que se sucederam sob seu comando. Cegueira ou incompetência? Não importa. O presidente "do povo" não tem culpa de nada. E assim, Lula foi acumulando popularidade ao longo desses últimos 8 anos. E, com o nome de Dilma Rousseff sendo cotado para a sucessão, o governo fazia de tudo para passar o máximo dessa popularidade de Lula para ela e preservar a sua imagem. Quando algo dava errado, Dilma misteriosamente "sumia"; o episódio do apagão em 2009 é um exemplo.
Mas, se eleita, ela não vai poder desaparecer quando problemas aparecerem. Ao contrario, ela vai ter que assumir os pepinos, ou fazê-los desaparecer.

Não vou mentir, eu não gosto da Dilma, e cada vez mais fico impressionado com as mentiras e as hipocrisias do Serra e do PSDB. Mas, independente do resultado da eleição, acho que o novo presidente merece o benefício da dúvida, e, mesmo que nenhum deles seja o candidato que eu gostaria, vou torcer para que faça um bom governo.
Acima de ideologia política, partidarismo, gostar ou não do nosso novo representante nos próximos 4 anos, ou qualquer outra coisa, o Brasil precisa de um bom presidente, que respeite o povo. E assim, o respeitaremos.

sábado, 16 de outubro de 2010

Doença nacional

Os políticos adoram jogar com a ignorância e com a memória curta do povo. O Tiririca foi um caso meio “boi de piranha”. O partido o colocou lá como isca, a população foi em peso nele. Só que em vez de se “sacrificar”, ele conseguiu ser eleito, e levou 3 junto com ele. O povo caiu direitinho e a coligação conseguiu o que queria.
Muita gente pensa que votou nele como “forma de protesto”, mas, na verdade, acabou fazendo exatamente o que o partido queria.
Tenho amigos paulistas que se sentem envergonhados por um candidato como o Tiririca ter sido eleito — ainda mais com tamanha aprovação, mas de uma coisa eu tenho certeza: se ele fosse candidato aqui no Rio ou em qualquer outro estado, teria sido eleito do mesmo jeito. Portanto, não fiquem assim. Isso não se restringe a São Paulo. É uma doença nacional.

O povo brasileiro é muito previsível e ingênuo, os políticos sabem disso, e usam a favor deles. Eles são pegos em escândalos de todos os tipos, frequentam a mídia por um mês, somem por um tempo, e depois voltam como se nada tivesse acontecido. E continuam sendo eleitos.
Só como exemplo, aqui no Rio de Janeiro o Garotinho ganhou com larga vantagem pra Deputado Federal. No Maranhão, Roseana Sarney foi eleita no primeiro turno, e, em Brasília, a inacreditável Weslian Roriz conseguiu ir pro segundo turno. Aliás, a Weslian Roriz é a personificação da falta de noção e da “marionetização” do povo.
Não adianta aparecer uma nova geração de políticos se o povo continua votando nos “medalhões” apenas por conhecerem ou já estarem acostumados com eles. Não haverá revolução na política enquanto nós não aprendermos a votar e largamos o medo do “novo”.
No dia seguinte da eleição, um conhecido estava conferindo no jornal os deputados eleitos e, pensativo, falou: “em quem eu votei ontem mesmo? Nem lembro.”
Eu o questionei por isso e ele apenas deu aquele sorriso sem graça.

O problema está em nós.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A diferença entre a Falta e a Saudade

Geralmente eu escrevo aqui meus desabafos sobre política ou coisas nesse sentido mas, expecionalmente hoje, decidi desabafar aqui o que eu não costumo conseguir em outros lugares.

Às vezes essa questão vem na minha mente. Qual a diferença entre sentir falta e sentir saudade, seja de algo ou alguém? Acho que se nossa língua fosse o inglês não teríamos problemas com isso, afinal, para os dois casos a palavra "miss" daria conta do recado.
Mas tem como sentir saudade de algo que nunca tivemos ou que não lembramos ter tido? Acho que, nesse caso, no nosso bom português, a expressão correta seria "sentir falta".

Eu falo isso porque, quem me conhece, sabe que a minha mãe morreu quando eu era muito novo. Era década de 80 e teve o surto de AIDS. Minha mãe acabou sendo contaminada no hospital, por causa de uma transfusão de sangue. Ela lutou durante anos, mas acabou não resistindo e faleceu em 1990. O fato de eu (e meu irmão também) estar vivo hoje é um milagre de Deus. Era pra eu ter nascido com o vírus HIV.
Hoje, eu tenho a minha tia (irmã do meu pai) como uma mãe, inclusive assim a chamo. Ela sempre cuidou de mim e até hoje moro com ela.

O casamento do meu primo, nesse final de semana, foi uma rara oportunidade de reunir quase toda a família por parte de mãe. Muitos eu não via há muito tempo porque eles moram longe. Nem lembrava como eles eram. Mas estavam lá, e bem na mesa onde nós (eu, meu irmão, meu pai e sua esposa) sentamos, o irmão e a irmã da minha mãe, sem falar da mãe do noivo, que é a tia (materna) com quem eu sempre tive mais contato. E ainda teve uma mulher que veio falar comigo dizendo que conheceu a minha mãe e falou que ela era a mais bonita de todos os irmãos... rs
Confesso que, sempre que ouço falarem dela, fico meio triste. Sem desmerecer todo o amor e o esforço da minha tia, eu acho que esse vazio materno nunca será completamente preenchido. E isso me deixa... Bem, eu sinto falta disso.

Eu não sou um cara muito emotivo, que chora fácil e tal, e geralmente eu guardo minhas emoções para mim mesmo. É difícil eu chorar por algo ou alguém - e acho isso um defeito. Mas isso é uma coisa que sempre me causa aquele nó na garganta.
Ter saudade de algo que você ainda pode ter é algo mais esperançoso do que sentir falta de algo que você nunca teve (ou não se lembra de ter tido) e sabe que nunca terá.

Às vezes, eu acho meio injusto conhecer tantas pessoas que conheceram minha mãe e que falam o quão boa e bonita ela era, e eu não ter uma simples memória dela.
Não sei como seria se ela estivesse aqui hoje, ou se ela tivesse, pelo menos, vivido mais tempo. Não sei o quão diferente minha vida seria. Mas aí me vem uma outra questão: O que é mais doloroso? A dor da perda ou da falta?
Quem perde um(a) companheiro(a), ainda tem a chance de arrumar um(a) outro(a) companheiro(a). Até o sofrimento da perda de um filho, que é algo terrível e muito pior, é um vazio que pode, eventualmente, ser, pelo menos um pouco, preenchido. E a mãe? É uma posição quase impossível de se preencher, independentemente do amor e da dedicação de outra pessoa.

Minha intenção não é querer comparar ou medir as dores das perdas/faltas. Eu só tento entendê-las. Talvez eu nunca consiga, mas não custa tentar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O exemplo vem de cima

Vendo os escandalos diários do congresso nacional, eu fico me perguntando se ainda falta muito para chegarmos no fundo do poço. A política brasileira está despencando há muito tempo, levando junto a nossa dignidade.
Fico triste quando leio que nosso senado virou assunto numa revista britânica, com o sugestivo título "casa de horrores".

Lula, que sempre criticou Sarney (inclusive chamando-o de "grande ladrão"), agora dá apoio incondicional ao velho adversário, que tem seu cargo ameaçado, dizendo que Sarney não pode ser tratado como uma "pessoa comum". Como diria os americanos numa situação como essa: What the hell?!?! O que ele quis dizer com isso? Tudo bem que eles se acham seres superiores se comparado a nós, mas a justiça não deveria ser igual para todos?
Lula já disse, que prefere ser uma metamorfose ambulante, mudando de opinião de acordo com a mudança das coisas... Mas é uma pena que as opinões dele só mudaram pra pior. E esse tipo duvidoso de mudança pode significar outra coisa também: falta de caráter.
Não sei onde eu li isso, mas quem falou acertou em cheio: Lula não tem princípios, só fins.

Já na Câmara, o deputado Edmar Moreira (o deputado do castelo) foi julgado 2 vezes no Conselho de "Ética". Na 1ª vez, se livrou da cassação (por ser uma punição muito severa, segundo os deputados), e na 2ª vez se livrou de uma suspensão de 4 meses, em que continuaria a receber salário (seria como umas férias). E, hoje, o processo foi arquivado e as acusações retiradas! Incrível...
Se JK soubesse em que se transformaria Brasília, acho que ele pensaria duas vezes antes de construí-la. Ele deve estar se revirando no túmulo com tudo isso acontecendo.

Pra finalizar, o exemplo vem de cima... Com um presidente que não lê jornais (como o próprio declarou), senadores que usam dinheiro que não são deles para fins próprios, deputados com carteira de habilitação suspensa dirigindo por aí, e agora, uma ministra (e pré candidata a presidencia) que "maquiou" seu curriculo, o que esperar da sociedade? Maus exemplos geram maus comportamentos, e impunidade gera impunidade.

Eu discordo da frase "os politicos são o reflexo da sociedade".
Brasília pode até ser um reflexo da sociedade, mas é um reflexo deturpado. Com tudo o q há de pior. Um espelho quebrado.
Nós não elegemos politicos estupidos porque nós somos estupidos... Nós elegemos politicos estupidos porque nós somos apenas ignorantes...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

No final, nada acaba em pizza, tudo vira bosta.

Os últimos acontecimentos em Brasília só mostram o estado de decomposição em que está a nossa política. Antes diziam que aqui no Brasil "tudo acaba em pizza", mas eu acho que já passamos desse estágio. Aqui no Brasil, parafraseano Rita Lee, tudo vira bosta. E daquele tipo que quanto mais se mexe, mais fede.

O que mais chamou atenção nas últimas semanas, sem dúvida, foi a farra das passagens aéreas. Deputados que usam o NOSSO dinheiro para pagar viagens para seus familiares, e amigos.
Eu ainda não pago Imposto, mas só pra ter uma noção, meu pai, que sempre deu duro na vida toda e travou uma batalha de anos para conseguir a aposentadoria (e com um salário ridículo), vai pagar em torno de R$ 8.000 de imposto por causa do montante do dinheiro que recebeu quando a aposentadoria, enfim, saiu. Quando ele pensava que a vida financeira melhoraria, veio essa facada nas costas. Terá que pagar R$1.000 por mês. Sorte que, mesmo aposentado, ele continua trabalhando. Senão, mal daria pra fazer as compras do mês, ou pagar as contas da casa.
E o pior é que Lula não vê nada de errado nisso. Segundo ele, isso sempre aconteceu e a imprensa trata isso como novidade enquanto tem "coisas mais importantes para discutir". E para piorar, perdeu mais uma ótima oportunidade de ficar calado e mandou "Eu ainda vou criar o Dia da Hipocrisia"... Uau! Genial! Que ótimo, Presidente. Que bela forma de homenagear o SENHOR, a turma de Brasília e 95% dos políticos em geral.

E, voltando ao caso do Edgar Moreira (o deputado do castelo de 25 milhões), levamos um outro tapa na cara quando o relator do Conselho de Ética, Sérgio Moraes (que já foi acusado de vários crimes), disse, antes do julgamento, que não via razão para a condenação do "colega", além de dizer que está se "lixando para opinião pública", e se vangloriava de estar no seu sétimo mandato. Bem, pelo menos sincero ele foi. Mas os companheiros deputados não gostaram. Provavelmente todos compartilham do mesmo pensamento, mas sabe como é, né?, expressá-lo publicamente pode pegar mal. E tanta foi a pressão dos deputados, que Sérgio Moraes (PTB) acabou sendo substituido por Nazareno Fontenele (PT), que, pelo que eu li, também não é flor que se cheire.
Mas Moraes ainda não desistiu, e disse que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar voltar ao caso. E a esposa dele, que é prefeita de uma cidade gaúcha, parece também não ligar muito pra opinião dos eleitores... Vai trocar o seu carro oficial ano 2006 por um mais novo, confortável de R$ 70.000. E isso, claro, com o dinheiro do povo. Legal, né?

É uma pena termos políticos do nível de Sérgio Moraes na frente do Conselho de Ética - palavra que parece não fazer muito sentido hoje em dia - e em tantos outros cargos importantes. Em nosso país não temos apenas cegos guiando cegos. Vamos além. Temos demagogos julgando demagogos.

[PS: Eu ia falar nesse post sobre o deputado criminoso que, bêbado e com a carteira de habilitação suspensa, provocou um acidente em que 2 jovens morreram, mas o post ficaria muito grande. Então vou deixar para o próximo.]