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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

[Curtas] Invocação do Mal / Elysium / Guerra Mundial Z

Invocação do Mal

★★★★☆
Ótimo

Filme tenso do início ao fim. James Wan ("Sobrenatural", "Jogos Mortais") sabe criar o suspense como poucos diretores atuais. Quando ele cria o clima e o susto vem, você fica com raiva por ter tomado o susto. E quando ele cria o clima e o susto não vem, você fica com raiva porque queria ter tomado o susto. Ele te tem na mão o tempo todo. Sabe brincar com as expectativas dos espectadores e com os clichês do gênero, que, sim, tem em abundância.
Outra coisa que o diretor acertou foi não expor muito os espíritos, que raramente são vistos de corpo inteiro. Aliás, num momento em especial, não vemos NADA do espírito, que só é visto por uma personagem. E a sequência é aterrorizante. Essa sensação de não sabermos muito bem com o que estamos lidando, cria uma tensão maior ainda. Por sinal, um dos grandes defeitos de "Mama", outro filme de terror bem esperado esse ano, foi a super exposição do espírito.

Além disso tudo, o filme é esteticamente inteligente. Os movimentos de câmera e enquadramentos são bem legais e auxiliam na criação tanto das sequências mais leves (como a família conhecendo a casa nova), quanto das mais pesadas (as de assombração). As atuações também são ótimas, inclusive do elenco infantil.

Enfim, James Wan sabe o que faz. "Sobrenatural: Capítulo 2" vem aí. Que seja tão bom quanto o primeiro.

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Elysium


★★★☆☆
Bom

"Elysium" tem uma boa premissa, mas é prejudicado por alguns problemas sérios, como personagens unidimensionais e clichês, e o ritmo corrido, que não dá espaço para o desenvolvimento dos próprios personagens e de certos pontos da trama.

Mas, no geral, até que gostei do filme, mesmo com suas perceptíveis falhas.
E se Neill Blomkamp usa "Distrito 9" (que acho bom, mas não isso tudo que falam) como uma alegoria para discutir o Apartheid, "Elysium" pode ser interpretado como uma metáfora da situação da fronteira entre México e Estados Unidos.
Se Blomkamp tivesse trabalhado um pouco mais no roteiro, "Elysium" poderia ter sido um filmaço. Mas com suas falhas, ele consegue fazer "apenas" um bom filme.

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Guerra Mundial Z


★★★☆☆
Bom

Desde que vi o trailer pensei que eu não ia gostar do filme. Sou fã dos zumbis lentos e maquiados de George Romero, que realmente parecem mortos vivos. Pelo trailer já tinha dado pra perceber que os zumbis de “World War Z” pareciam super humanos, com incrível velocidade, capazes de dar longos pulos e, ainda por cima, criados por computação gráfica, os fazendo artificiais. Mas devo dizer que me surpreendi com o filme.

Essas questões realmente me incomodaram (os efeitos digitais são fracos para uma produção desse tamanho, e não só os zumbis são notadamente artificiais, mas outras coisas, como helicópteros e até pessoas “normais”), mas o filme tem vários pontos fortes que me fizeram relevar tais problemas. Um deles é a narrativa, que é legal por ser quase dividida em fases ou missões, parecendo um jogo. Mesmo assim, essas “fases” são bem amarradas, dando um ritmo fluido ao filme. O roteiro, que passou por 6 mãos até parar nas de Damon Lindelof (Prometheus, Star Trek) e Drew Goddard (O Segredo da Cabana), que tiveram que reescrever todo o terceiro ato, é bem eficiente e ainda apresenta uma solução original para, se não a cura da pandemia zumbi, que a humanidade ainda tenha uma chance. Fora outros elementos que foram adicionados por eles, como a asma de uma das filhas de Gerry (Brad Pitt), que poderia ser usada apenas como fator dramático ou de suspense em alguma cena, mas é inteligentemente usada para desenvolver a figura paterna de Gerry, que ajuda a filha
a superar uma crise da doença.

Por fim, Guerra Mundial Z não é um “filme de zumbi”, expressão que já virou praticamente um sub gênero. Não é uma produção em que um grupo de sobreviventes passa o tempo todo fugindo e se escondendo dos zumbis. Mas sim um suspense de investigação da origem de uma epidemia. Para ilustrar melhor, é uma mistura de “Contágio” com “Extermínio 2″. Há uma praga que transforma pessoas em mortos vivos, e a cura precisa ser encontrada antes que tudo seja perdido. Portanto, os zumbis movem a história, mas não são a história.
Mesmo com seus problemas, é um filme que funciona.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Círculo de Fogo


★★★★★
Excelente

Conhecido por seus filmes de terror e fantasia, como "O Labirinto do Fauno", "A Espinha do Diabo" e "Hellboy", o multitarefa Guillermo Del Toro — que já havia produzido "Mama" esse ano — dessa vez se joga de cabeça num sonho antigo seu (e de 90% dos jovens que cresceram  principalmente nos anos 80 e 90): um filme sobre monstros contra robôs gigantes.

Na trama, legiões de monstruosas criaturas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do Oceano (mais precisamente do Círculo de Fogo do Pacífico) e destruir cidades ao redor do mundo, matando milhões de pessoas. Quando as armas convencionais não se mostram o bastante para deter os monstros, a Pan Pacific Defense Corp começa a criar enormes robôs controlados por dois pilotos para defender as cidades. Nasce o Programa Jaeger. A princípio um sucesso, os Jaegers não conseguem resistir por muito tempo devido às aparições cada vez mais frequentes dos Kaijus e ao custo e demora na fabricação e reparo dos robôs.
A PPDC, então, decide suspender os fundos do Programa e dar prioridade à construção de muros em volta das cidades. Contrariado com a decisão, Stacker Pentecost, o responsável pelo Programa Jaeger, decide levar os quatro Jaegers remanescentes para o último post de batalha em Hong Kong, onde pretende liderar um ataque final.


Uma das coisas mais legais do filme é subverter a máxima do herói de ação, na maioria das vezes, americano. Em "Pacific Rim" (título original), a Pan Pacific Defense Corp, organização criada para defender a humanidade dos Kaijus é transnacional. Pentecost, o comandante do Programa Jaeger, é britânico e as equipes que pilotam os quatro robôs principais são da China, Rússia, Austrália e, no caso do Gipsy Danger, um americano e uma japonesa. Raleigh Becket (Charlie Hunnam, da série "Sons Of Anarchy"), um piloto aposentado e traumatizado por um evento do passado, e a inexperiente Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Babel) são os personagens principais que se levantam como heróis quando tudo dá errado. E, apesar de Becket ser o óbvio protagonista, uma vez que a personagem de Mori é apresentada, a trama começa a girar em torno dela. Vemos a história através dos olhos de Becket, mas é Mori quem se torna a protagonista do filme.


Se um filme de ação/ficção científica com uma heroína já não é comum em Hollywood, um filme em que a heroína não seja sexualizada, é raridade. Del Toro queria que os personagens e seus dramas fossem o foco do longa, e não seus físicos (ainda assim ele presenteia as mulheres com um Charlie Hunnam sem camisa por alguns segundos) ou, ainda vou mais longe, os robôs. Sim, os robôs são as coisas mais divertidas no filme, mas sem os humanos, eles são milhares de toneladas de metal inanimado. A "alma" desses seres gigantes é o que os move, assim como a alma dos personagens é o que move o filme. Um elemento bem inteligente (e legal, vai!) que mostra isso é a conexão neural que os pilotos precisam fazer para pilotar os Jaegers. Duas pessoas (ou três, no caso dos chineses) compartilharem as mentes quer dizer compartilhar alegrias, tristezas, virtudes, defeitos, medos, decepções, fraquezas, traumas, e tudo o que nos faz humanos. Dentro de um Jaeger os pilotos — e o robô — se tornam um.

O significado disso é muito mais profundo e interessante do que qualquer embate entre um Jaeger e um Kaiju. E devo dizer que as batalhas são excepcionais. Apesar de serem feitas completamente com computação gráfica, não há uma cena em que os movimentos — seja dos seres gigantes, do mar, ou dos ambientes destruídos — soem artificiais. Del Toro e o supervisor de efeitos especiais, John Knoll, passaram semanas discutindo a física dos Jaegers e Kaijus e até os detalhes da reação que eles causariam nos ambientes (como o tremor das janelas de prédios causados pelo deslocamento de ar quando um Jaeger passa por eles). O resultado são efeitos visuais muito reais e impressionantes.


Um elemento que chama atenção na fotografia do filme é as cores, que são bem fortes. Pela primeira vez, Guillermo del Toro e Guillermo Navarro (diretor de fotografia com quem já trabalhou várias vezes) optaram pelas câmeras Red Epic, que tem uma saturação bem intensa de cores — muito maior do que uma câmera analógica. Essa intensidade das cores dá ainda mais vida aos planos que sempre buscam ostentar o tamanho das imensas criações do diretor, frequentemente os mostrando de baixo e os comparando com outros objetos e construições enormes, como arranha-céus, pontes, e até a própria profundidade do mar, onde os Jaegers raramente ficam submersos. Um momento que ilustra bastante essa ideia de proporção e que, particulamente, eu esperava muito desde que vi o trailer, é quando Gipsy Danger usa um navio cargueiro como espada, na batalha contra um Kaiju em Hong Kong (cidade onde a maioria da ação acontece). É um daqueles raros momentos em filmes pipoca em que penso "gostaria ter tido essa ideia" — a sequência da explosão do gramado enquanto um jogador faz um touchdown, em "Batman - O Cavaleiros das Trevas Ressurge", é outro momento desses.

Apesar de suas muitas qualidades, porém, o filme tem seus pontos fracos. A maioria deles mora no roteiro escrito por Travis Beacham e pelo próprio del Toro, que abusa de personagens, situações e diálogos clichês. Temos o comandante casca grossa (o sempre ótimo Idris Elba, de "Prometheus"), o piloto arrogante que rivaliza com o mocinho e o cientista maluco que funciona como escape cômico. Aliás, em "Círculo de Fogo" é uma dupla de cientistas — Newt Geiszler e Gottlieb, irritantemente interpretados por Charlie Day e Burn Gorman, respectivamente. Outro personagem responsável pelo humor é Hannibal Chau, um vendedor de partes de Kaijus no mercado negro, interpretado por Ron Pealman (também de "Sons Of Anarchy", e "Hellboy").
Há ainda situações que soam artificiais, como quando Becket e Mori "checam o pulso" de um Kaiju já morto. Percebe-se claramente que é uma cena apenas com o objetivo de impactar visualmente. Provavelmente na cabeça de Del Toro a cena teria um efeito empolgante ou até cômico quando, na verdade, soa bobo.


Entretanto, os visíveis defeitos e tropeços no roteiro não tiram o mérito do diretor e de seu filme excelente, que não só funciona como bom entretenimento, mas também é capaz de despertar a criança interior de muitos marmanjos, que certamente sentirão uma sensação de nostalgia vendo as batalhas colossais.
E, mesmo sendo cheio de metal e monstros, "Círculo de Fogo" não é um filme bruto, artificial, mas sensível, que envolve o espectador, principalmente pela força de seus personagens. O elo que Guillermo del Toro cria entre Raleigh e Mako é muito bonito. É emocionante quando, perto do final do filme, Raleigh diz à ela "All I have to do is fall, Mako. Anyone can fall". É verdade que a fala teria ainda mais peso se o destino de seu personagem fosse diferente, mas, por tudo o que significa, pela construção da cena, e interpretação de Charlie Hunnam (que merece ser mais conhecido) é um momento comovente e importantíssimo para a história do filme.

"Círculo de Fogo" é um dos melhores filmes do ano, mas com um texto mais cuidadoso seria ainda melhor do que já é. Não é uma produção que visa premiações, ainda assim é capaz de tocar e envolver o público de uma forma que muitos filmes oscarizados não conseguem.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

[Curtas] Only God Forgives / Invasão À Casa Branca

Only God Forgives 
★★☆☆☆
Razoável

Um filme visualmente marcante, mas que falha nas questões mais básicas numa produção cinematográfica. A belíssima fotografia, design de produção e direção de arte não salvam o filme, que tem uma trama desinteressante, personagens sem um pingo de carisma e atuações fracas. O diretor foi de Drive (um filmaço), para isso.

"Only God Forgives" é bonitinho, mas ordinário.
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Invasão À Casa Branca
★★☆☆☆
Razoável

Seria mais legal se fosse um filme da série "Duro de Matar". Os filmes do John McClane são forçados, mas com orgulho. É uma linha de filmes de ação sem compromisso com a realidade, visando apenas o entretenimento. Aí esse "Olympus Has Fallen" quer se levar a sério, forçando a barra, com um tom solene, até épico... Complica.
O McClane no lugar do Mike Banning, e um tom mais leve, faria o filme ser bem melhor.
E de acordo com o filme, os EUA são responsáveis pela paz mundial. Tirando a sua frota do lugar desencadearia um caos nuclear. Menos, né...

Mas, como um filme de ação, é bem decente. O problema mesmo é o complexo americano de Deus e as forçações da história.

domingo, 14 de julho de 2013

O Homem de Aço


★★★★☆
Ótimo

Talvez a maior ironia em relação ao Super Homem, o super herói mais famoso da história, é que sua indestrutibilidade é seu maior ponto fraco na disputa com outros heróis pela preferência do público. Com toda sua força, poderes e praticamente nenhuma fraqueza, o kryptoniano se distancia de heróis mais humanos (no sentido falível da palavra), como o Homem Aranha, um fotógrafo pobre com poderes adquiridos por meios radioativos, e Batman, que, apesar de milionário, é um dos heróis mais humanos, por sua vulnerabilidade física e emocional.

A dificuldade de adaptar o personagem para a telona é percebida só de olhar a carreira de Clark Kent no Cinema. Dos 5 filmes lançados, apenas os dois primeiros, de Richard Donner e Richard Lester, são tidos como relevantes. Portanto, Zack Snyder — diretor com muitos filmes de ação no currículo, como "300", "Sucker Punch" e "Watchmen" (um dos melhores filmes de super heróis já feitos) — sabia do peso da responsabilidade (e das duas centenas de milhões de dólares, diga-se de passagem) que estava em suas mãos. Com o sucesso cada vez maior da Marvel, e com o término da saga do Batman, a Warner Bros. precisava de uma nova "super saga" urgentemente. Falhar não era uma alternativa.

E a boa notícia é que Zack Snyder não decepciona. "Man Of Steel", filme mais sobre Kal-el do que Clark Kent, mesmo com seus defeitos, é um ótimo filme, além de ser diferente de tudo que já vimos em adaptações do Superman para as telas, grandes ou pequenas. Esqueça a famosa trilha sonora de John Williams, o inocente e unidimensional Super Homem de Christopher Reeve, a baboseira de defender o "jeito americano" e tudo referente ao filme de Donner e suas sequências. "O Homem de Aço" é bem mais maduro e sério. E isso já era esperado pela presença de dois grandes nomes envolvidos no projeto: Christopher Nolan e David S. Goyer — ambos vindos da trilogia do Cavaleiro das Trevas. Enquanto Nolan aparece apenas como produtor dessa vez, Goyer é responsável pelo roteiro.


A trama de "O Homem de Aço" apresenta muitos elementos de ficção científica, e essa característica é percebida logo nas primeiras cenas do filme, ambientadas em Krypton. Snyder faz uma remontagem bem curiosa do Planeta natal de Kal-el, com um território aparentemente hostil, visualmente decadente, que contrasta com a tecnologia avançada dos kryptonianos — a própria exploração de recursos naturais condenou o planeta a destruição. Aliás, algo bem interessante no design de Krypton é essa contradição entre o moderno e o arcaico. Ao mesmo tempo em que o povo kryptoniano é muito avançado tecnologicamente, seus habitantes mais importantes usam armaduras de batalhas, como os povos antigos da Terra, e suas máquinas, mesmo com visuais "orgânicos", estranhamente parecem datadas. A concepção de arte e o design de produção do filme parecem ter se inspirado nas obras de H.G. Giger. As armaduras, máquinas e cenários de "O Homem de Aço" remetem às obras do criador do Alien mais temido do cinema.

Possivelmente um dos maiores erros do roteiro de Goyer comece exatamente depois da introdução em Krypton — em que, sabendo que o planeta vivia seus últimos dias, Jor-el manda o seu filho recém-nascido para a Terra, contrariando General Zod, que promete achá-lo de qualquer maneira. De lá, somos apresentados a Clark já adulto, trabalhando num barco pesqueiro, onde pela primeira vez vemos um momento heroico do personagem. O problema é a mudança brusca de ambiente. Das cenas de ação em Krypton, o filme já leva o espectador para uma cena de ação no meio do mar. Não há preparação, naturalidade. A partir daí o filme conta a infância de Clark (Lana marca presença rapidamente) e a descoberta de seus poderes por meio de flashbacks, o que pode não ter sido uma boa escolha, por ser um filme sobre a origem de um herói. Por outro lado, a narrativa sendo linear, implicaria em desenvolver bem mais a infância do menino kryptoniano, e não apenas rápidas sequências. O filme, que já tem 140 minutos, poderia ficar bem maior.


A trama ainda tem outros dois problemas que incomodam: a utilização além do necessário de Jor-el (a sua consciência não serve apenas como guia para Kal-el descobrir sua origem) e o paralelo constante de Kal-el com Jesus Cristo — principalmente na sequência da igreja, onde ele divide um enquadramento com a imagem de Jesus num vitral, de maneira nada sutil.
Entretanto, se o roteiro vacila em alguns momentos, acerta em muitos outros, principalmente na construção de Kal-el como pessoa e herói, mesmo que seja algo diferente do que estávamos acostumados. Como nunca antes, vemos e sentimos Clark como um peixe fora d'água. Sofrendo na sua infância com a descoberta de suas habilidades (a frase "Pessoas têm medo do que não entendem" dita por Jonathan para Clark, vale para o próprio, que não entendia o porquê de ser diferente) e quando adulto, vagando de um lugar para o outro, como um nômade — porém, mais sem identidade do que lar.

Apesar de ser filho de dois mundos, Kal-el é estranho em ambos, já que é um alienígena na Terra e, por ser filho de concepção natural, uma abominação para os Kryptonianos — que nasciam já com uma "classe" e propósito estabelecidos (Jor-el, cientista, e Zod, Guerreiro, por exemplo). Todavia, como tudo no filme, há os dois lados da moeda, pois, ainda que não pertença a nenhum dos dois mundos, ele é o único ser livre de sua raça e um deus na Terra. Até Zod, inimigo mortal do Superman e um dos últimos sobreviventes de Krypton, é escravo de sua predestinação. Ele nasceu para proteger seu planeta e irá até o fim para isso.

E até o fim ele vai. Superman precisa testar toda a sua força para parar Zod e salvar a Terra, nem que para isso leve arranha-céus e todo tipo de construções abaixo. O resultado (meio over, é verdade) são cenas espetaculares de luta e destruição em Smallville, Metropolis e até no Espaço. Sim, se você achou que "Superman Returns" não teve ação o suficiente, já aviso que "Man Of Steel" é um prato cheio. O nível de destruição é capaz de ter levado Michael Bay às lágrimas, de alegria e emoção.


Outra coisa resgatada pelo filme, é o carisma do Superman, graças ao britânico Henry Cavill. Ele consegue passar para o público a solidão e o peso que o kryptoniano tem nas costas, com todas as nuances pedidas pelo personagem. Um exemplo de sua boa atuação é num flashback onde Clark, ainda adolescente, discute com seus pais. Em nada lembra o Clark calado que vemos na maioria do filme. Amy Adams interpreta uma Lois Lane forte e decidida, que foge da donzela que sempre precisa ser salva do vilão. Michael Shannon tem sucesso ao dar a Zod uma aura realmente ameaçadora, já o Jor-el de Russel Crowe representa a figura paterna e sábia. Outra figura paterna muito bem representada é Jonathan Kent. Kevin Costner, o melhor no elenco, não precisa de muitos momentos para brilhar como o pai de Clark Kent. Diane Lane também aproveita seu pouco tempo na tela para esbanjar sensibilidade, especialmente na sequência em que ela precisa confortar o seu filho, assustado com os dons recém-descobertos da super audição e visão de raio x. Os atores Cooper Timberline e Dylan Sprayberry, que fazem Clark com 8 e 14 anos, respectivamente, também fazem ótimos trabalhos.

Outro elemento a se destacar é a belíssima trilha sonora do sempre genial Hans Zimmer. Desde o início com o clima de urgência em Krypton, passando pelos momentos mais dramáticos às lutas de Superman com Zod, a trilha se encaixa perfeitamente e emociona. Percebe-se o tom completamente diferente dos filmes do Batman, por exemplo. Zimmer é um compositor que se adapta muito bem aos diferentes tipos de filmes.
Apesar da trilha ser diferente da trilogia do Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan trouxe para "O Homem de Aço" o mesmo clima sério e épico. Não há espaço para muitas piadas, e as poucas que têm são mais visuais, e até bem inteligentes. Em uma delas, vemos um plano fechado na palavra "ALERT" em vermelho logo depois do Governo Americano descobrir a nave de Zod em direção à Terra. Mas logo a câmera abre o plano e é revelado que é o alerta da falta de papel da impressora que Lois usava. A falta de humor tem sido um dos motivos de críticas ao filme, mas eu acho interessante uma pegada mais séria nos filmes da DC Comics, diferentemente dos filmes da Marvel.


Com todos esses altos e baixos, Zack Snyder faz um filme um pouco problemático, mas divertido e eficiente, conseguindo honrar a grandeza que esse personagem representa para a cultura pop. O diretor desmonta o mito de perfeição do Superman, um herói que precisava se inovar e se adequar ao mundo de hoje — um mundo menos colorido (como sua roupa) e onde fazer o certo pode significar sujar suas mãos (como a decisão que ele toma perto do final). Clark Kent passa a se assemelhar, também, com os dois heróis citados no início da crítica — vivendo com pouco dinheiro e buscando seu lugar no mundo.

Percebe-se que é apenas o primeiro passo para o estabelecimento de uma franquia, pois Kal-el ainda parece não ter chegado à maturidade de seus poderes e de sua personalidade. Esse ainda não é o Superman que daqui a alguns anos veremos liderando a Liga da Justiça. Mas, de qualquer forma, foi um bom primeiro passo, e com o pé direito.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Homem de Ferro 3

★★☆☆☆
Razoável

Em 2007, a Marvel Studios estreou no universo cinematográfico para revolucionar a maneira como é feito os filmes de super heróis. Começando com um personagem que até então tinha papel secundário nas HQs da Marvel, a produtora lançou "Homem de Ferro", que até hoje é uma unanimidade dentre os fãs de quadrinhos e cinéfilos — um grande filme para ninguém botar defeito. Assim, a produtora mostrou a que veio e, a partir daí, lançou "O Incrível Hulk", "Homem de Ferro 2", "Thor" e "Capitão América", todos passados no mesmo universo e interligados entre si, até culminar no impressionante "Os Vingadores". Esse foi o final da Fase 1 da Marvel Studios.

Por isso, "Homem de Ferro 3" veio com duas grandes responsabilidades: fechar por cima a trilogia de Tony Stark, personagem mais querido da Marvel nos cinemas, e começar a Fase 2 com o pé direito. Infelizmente, o filme falha nos dois quesitos.
É o primeiro filme sem Jon Favreau na direção, que é assumida por Shane Black, criador da série "Máquina Mortífera" e diretor do ótimo "Beijos e Tiros" (protagonizado também por Robert Downey Jr.). Black, que também assina o roteiro (junto com Drew Pearce), faz um filme bobo que é mais comédia do que qualquer outra coisa — esqueça o tom sombrio tão enfatizado nos trailers.

Já buscando se conectar com o primeiro filme, uma das primeiras cenas de "Homem de Ferro 3" mostra o primeiro encontro de Stark com Yinsen, que o ajudou a construir a Mark 1 quando ele foi capturado no Afeganistão. Nesse mesmo evento onde os dois se encontram, Stark também conhece Aldrich Killian, que queria apresentá-lo um de seus projetos, mas acaba sendo ignorado já que o playboy estava ocupado demais com a cientista Maya Hanssen — e não por motivos profissionais.
No presente, um fragilizado Tony Stark tenta voltar a ter uma vida normal depois dos eventos de "Os Vingadores", afinal, conhecer semideuses, monstros verdes e combater forças extra terrestres vindas de um buraco de minhoca, mexe com qualquer um. E, não conseguindo mais dormir e tendo ataques de ansiedade, Stark passa o tempo construindo dezenas de armaduras e aprimorando suas tecnologias.
Enquanto isso, o mundo é assombrado por um terrorista chamado Mandarim, que num dos seus ataques acaba pondo em risco a vida de uma pessoa do círculo de Tony, que leva para o lado pessoal. Aí é onde a aventura começa e a sua vida pode terminar.


Apesar dos muitos defeitos, o filme tem um tema muito interessante: como os acontecimentos do passado moldam uma pessoa. Killian, enganado, e até pode-se dizer humilhado, por Stark no primeiro encontro dos dois, vira o jogo e se torna um brilhante e ambicioso cientista. Já Stark não consegue se livrar de seus medos e se esconde no seu casulo, a armadura. Ele já não consegue se sentir seguro fora dela (s). É impossível não lembrar da frase "A armadura e eu somos um" dita por ele em "Homem de Ferro 2". Só que na ocasião a frase tinha um sentido mais político e científico (de um inventor querendo defender sua invenção enquanto o governo queria confiscá-la). Agora, o sentido é literal, já que o que Stark busca é praticamente um estado de simbiose com a armadura.

O problema é que a resolução desse conflito de Stark não é só decepcionante como chega a trair a mitologia do herói. Aliás, muitas das resoluções das subtramas do filme são um tanto abaixo do esperado (como a do Mandarim, por exemplo, que com certeza deixou muita gente com raiva) e ainda deixam pontas soltas. O final escolhido por Black parece ter preocupado até Joss Whedon, que quando viu o filme comentou "Agora o que eu devo fazer? O que vou fazer em O Vingadores 2?". E realmente é uma "pepino" que passa para as mãos de Whedon, já que percebe-se que Shane Black não fez "Homem de Ferro 3" com uma ideia de continuidade, e sim de conclusão, o que é um erro já que o personagem é parte de um universo muito maior.


Mas se há uma coisa que Shane Black sabe fazer, e faz bem, é filme de ação com elementos cômicos. Você pode até não concordar com as escolhas narrativas que o diretor faz, mas a verdade é que o filme diverte. Não faltam cenas de ação com ótimos efeitos visuais — mesmo que a maioria seja sem as armaduras, ou pelo menos do Tony fora delas — e piadas. A escolha de tirar Tony Stark da sua zona de conforto e fazê-lo ser um herói apenas de carne e osso foi muito corajosa. O problema é que isso transformou o filme em algo muito parecido com a obra pela qual o diretor é mais conhecido. Sim, em determinados momentos, "Homem de Ferro 3" parece ser mais um "Máquina Mortífera" com armaduras e soldados luminosos do que um filme da franquia da Marvel. Há também elementos de filmes de espionagem, como quando Stark invade a mansão de Mandarim. A trilha sonora de Brian Tyler não deixa mentir, já que sua composição nessa sequência parece saída de um filme do James Bond.

Se o primeiro "Homem de Ferro" tentava ser um filme calcado no mundo real, o terceiro filme do herói toma muitas licenças poéticas em relação a HQ e a realidade, se tornando o filme mais fantasioso da saga.
Entre erros e acertos, "Homem de Ferro 3" fecha a trilogia de Tony Stark de forma decepcionante, deixando para "Thor: O Mundo Sombrio" a responsabilidade de ser o primeiro filme relevante da nova fase da Marvel.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

[Curtas] O Resgate

★★☆☆☆
Razoável

Nicolas Cage precisa seriamente pensar no rumo da sua carreira. Ele parece aceitar qualquer roteiro que chega em suas mãos. "O Resgate" é mais um filme fraco na sua carreira recente. Nos últimos 5 anos, quais foram os filmes realmente bons que ele protagonizou? "Vício Frenético" (2009)? O divertido (porém não muito mais que isso) "Fúria Sobre Rodas" (2011)? Até os melhores não são isso tudo... Porém ele escolhe fazer vários filmes por ano (desde 2007 foram nada menos que 17), preterindo qualidade por quantidade.

"O Resgate" parece uma tentativa de Cage de emular um "Busca Implacável" (com Liam Neesom). A trama parte da mesma premissa: pai tem filha raptada e precisa reavê-la usando suas habilidades já "aposentadas". Até os nomes originais são parecidos. O do Liam Neesom é Taken. O do Nicolas Cage é Stolen. Mas as semelhanças acabam aí. Além de "Busca Implacável" ter bem mais ação, com lutas e tiroteios, é MUITO melhor.
O roteirista David Guggennheim e o diretor Simon West não conseguem repetir o sucesso de seus filmes anteriores (Protegendo O Inimigo e Os Mercenários 2, respectivamente) que também têm seus problemas, mas pelo menos divertem.

Até Josh Lucas, que é um ator que eu gosto, não se salva. Sua atuação é "over the top" e seu personagem, meio clichê. A forma como sabemos como ele falsificou sua morte é bem amadora também. Contar os detalhes para um personagem prestes a desmaiar só para o espectador saber é quase tão desajeitado quanto um diálogo expositivo(*). [spoiler] (selecione o texto a seguir com o mouse para ler) E ainda baixa um Jason Voorhees nele no final. O cara se recusa a morrer, o que acaba sendo involuntariamente engraçado, já que provavelmente o diretor tentou criar um clima de tensão com isso. [/spoiler]
No elenco, ainda tem Malin Akerman (Watchmen), Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine), M.C. Gainey (Lost) e Sami Gayle, entre outros.

Mas, apesar de tudo, não dá pra falar que o filme é de todo ruim. Tem seus bons momentos. O problema é que, no final da projeção, eles já não são tão bem lembrados como os ruins.

*Diálogo expositivo: diálogo que apresenta informação ao espectador (ex: dois personagens conversam algo que já sabem para explicar ao espectador).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Skyfall (e nova saga do 007 até aqui)

Em meados de 2005, depois de muita especulação, Daniel Craig foi anunciado como o novo intérprete de James Bond. Pierce Brosnan, seu último intérprete, não renovou o seu contrato após quatro filmes. A escolha não foi muito bem aceita pelo público já que Craig, loiro, baixo e não tão bonito, quebrava os estereótipos do 007 que foram criados ao longo da filmografia do agente secreto.
Essa nova fase seria um reboot da série, sem qualquer relação direta com os filmes anteriores. E os novos filmes, começando por "Casino Royale", seriam mais baseados na realidade, sem bugigangas tecnológicas, enquanto apresentariam um James Bond mais inexperiente.

Com o lançamento de "Skyfall", o 3º filme com Craig, aproveito para fazer um apanhado dessa nova etapa do 007 até aqui — mas com o foco no último, claro. A essa altura Daniel Craig se firmou no papel de Bond, afastando as dúvidas quanto a escolha por ele, e a série se consolidou como uma das mais lucrativas dos últimos anos ("Skyfall" vem batendo recordes de bilheterias ao redor do mundo).

Se você não viu os filmes, já aviso da presença de spoilers.

007 - CASINO ROYALE

★★★★☆
Ótimo

Com a missão de contar a origem do agente 007, "Casino Royale" já começa mostrando como James Bond ganhou o status de 00, e sua primeira missão como tal. E logo nesse início já dá pra perceber que veremos que o James Bond de Daniel Craig será bem mais "físico" que os anteriores. Isso se confirma na impressionante cena de perseguição em Madagascar. É até curioso ver o James Bond, todo bruto, tentando de qualquer jeito acompanhar o negão mestre no Le Parkour. Nessa sequência Bond prova que aqueles que dizem que "técnica é superior a força" podem estar errados. Bem errados.
Apesar de ter feito um estrago numa embaixada em Madagascar, o que colocou o MI6 e ele mesmo em capas de jornais, Bond consegue informações que eventualmente o levam a Le Chiffre, um banqueiro que financia organizações terroristas. Desesperado, depois de Bond o fazer perder mais de U$100.000.000, ele organiza um torneio de pôquer em que espera recuperar a fortuna perdida, e continuar vivo (já que o dinheiro que ele perdeu era, na verdade, de seus clientes). A pedido de M, o governo britânico aceita bancar a participação de Bond no torneio contando que, com a derrota de Le Chiffre, ele, sem opções, aceite virar um informante do serviço secreto britânico, em troca de segurança.

Apesar do filme focar bastante no torneio de pôquer, "Casino Royale" não deve nada em ação. Várias cenas são de tirar o folêgo, assim como a bond-girl Vesper, interpretada pela linda Eva Green. Ela é a designada pelo governo para garantir a segurança do dinheiro investido em Bond. Eles acabam se apaixonando, o que, com os eventos que se seguirão, será essencial no desenvolvimento desse "novo" James Bond.

O que mais chama atenção em "Casino Royale" é a humanização "sofrida" por Bond. Sempre o conhecemos como um espião charmoso e mulherengo, mas inalcançável, por assim dizer. Nunca o vimos tão passível de falhas e sentimentos. O James Bond de Daniel Craig é rebelde, quebra regras, apanha bastante (e bate ainda mais), se machuca durante as perseguições, se apaixona... Enfim, parece mais crível. Essa talvez seja a maior pretensão desse reboot da série. E essa característica estará presente e fará parte dos elementos principais nos filmes que seguirão "Casino Royale".

007 - QUANTUM OF SOLACE:

★★★☆☆
Bom

O filme começa quase exatamente onde "Casino Royale" terminou. Um James Bond furioso, para dizer o mínimo, vai atrás daqueles que causaram a morte de Vesper, que o traiu, mas também o salvou. E ele não mede esforços para encontrar respostas, destruindo tudo e todos no seu caminho. Sua busca pelo responsável pela morte de Vesper o leva a uma grande organização terrorista. Tendo apoio até da CIA, a Quantum é praticamente intocável, e Bond é o único que ousa ficar contra a organização, mesmo que isso signifique ficar contra a Agência americana e ao próprio MI6.

"Quantum Of Solace" peca por ser meio confuso. Desde o roteiro às cenas de ação — em certos momentos nem dá pra entender o que está acontecendo; resta-nos presumir que seja lá o que aconteceu seja realisticamente possível, e seguir o filme.

Mas, por outro lado, é um filme que parece que "precisava" ser feito. Trabalhar a forma como os eventos de "Casino Royale" influenciaram James Bond como pessoa/agente era essencial para a saga (além de aprofundar mais a relação dele com M), ainda mais a longo prazo. Olhando superficialmente, para nós pode ter sido apenas uma conclusão da história de "Casino Royale". Mas para Bond, foi uma conclusão da sua história com a Vesper. Passado o período de "luto", o sentimento de raiva e vingança, agora ele pode seguir em frente — e "Skyfall" mostra exatamente isso: um Bond mais maduro.

Para a mitologia do 007, Quantum Of Solace foi útil. Mesmo não tendo sido muito bem executado.

007 - OPERAÇÃO SKYFALL:

★★★★☆
Ótimo
[Pequenos spoilers do filme a seguir]

Muita expectativa se criou por Skyfall. Depois do não-tão-bom "Quantum of Solace", o 3º filme desse "reboot" da saga do 007 tinha o dever de retomar o bom cinema apresentado em "Casino Royale". Para isso, Sam Mendes, um diretor com mais bagagem, foi chamado para dirigir o filme — mesmo que o roteiro seja de Neal Purvis, o mesmo de Quantum. E Mendes cumpre o seu dever, nos entregando um belíssimo filme.

Embora "Skyfall" seja um maravilhoso filme de ação, ele se distancia um pouco dos filmes anteriores do espião mais famoso do mundo (falando desse jeito até fica engraçado). Enquanto a maioria dos filmes — seja da "era" Craig, Brosnan, Connery etc — tem um clima mais "thriller de espionagem" (com bastante ação, é claro), "Skyfall" parece abrir mão da espionagem e foca mais no clima de perseguição. Lá pela metade do filme já descobrimos quem é o vilão e seu objetivo. Ponto. A partir daí o filme se joga de cabeça numa caça de gato e rato (ou rato e rato, quem já viu entenderá). 
Apesar do clima de caça, é claro que existem mais elementos que compõe a trama de "Skyfall", como M respondendo pelos erros do MI6 (inclusive um que quase causou a morte de Bond) e a volta à ativa de Bond, após ser baleado e dado como morto. Porém, tudo serve mais de preparação para o arco principal.

Mas além das incríveis cenas de ação, "Skyfall" guarda como seus maiores trunfos a exploração do passado de James Bond e o seu vilão, atuado por Javier Bardem, que já vai juntando uma coleção de ótimos vilões (vide Anton Chigurh de "Onde Os Fracos Não Tem Vez"). Esses são os maiores diferenciais de "Skyfall" em relação aos seus dois antecessores. Em Casino e Quantum, algumas pistas sobre o passado de Bond são dadas, mas nunca exploradas, e os vilões não eram "pessoais" como Silva. Nele, "Skyfall" encontra um inimigo perfeito para Bond. Um ex-agente (e outrora pupilo de M), que consegue pensar e lutar como ele. A primeira vez que os dois se encontram já é um dos melhores momentos da nova saga, não só pela metáfora que vai comandar o filme, mas pelo humor que alivia o clima de tensão do momento.
São esses dois elementos que fazem de "Skyfall" o filme mais pessoal do 007 (pelo menos dessa nova fase) até aqui.

Numa série tão duradoura como 007 é normal que os novos filmes façam refererências aos antigos, mesmo que eles não se passem num mesmo universo/linha de tempo. Essas conexões, além de demostrarem respeito aos filmes anteriores, servem para atrair o público mais saudosista, fãs dos filmes mais antigos. E o que não falta em "Skyfall", lançado no ano em que a série completa meio século, é referências aos seus predecessores. As referências vão desde citações à bugigangas usadas em filmes anteriores (como caneta explosiva) à um novo "Q",  passando pelo famoso Aston Martin — "Vamos voltar no tempo" diz Bond á M ao ser perguntado para onde vão. Isso é mais um ponto interessante de "Skyfall". Enquanto é o filme que menos se assemelha ao "modelo 007", é o filme que mais parece querer se conectar com os outros. Talvez a escolha por fazer tantas referências seja exatamente simular uma conexão com a série, já que o roteiro não faz isso — não que isso seja defeito, apenas algo diferente. De qualquer forma, as várias referências, que podiam até acabar soando forçadas, se mostram um dos pontos altos do filme.

Não sei se é porque "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" ainda está muito fresco na minha cabeça, mas não pude deixar de notar algumas semelhanças entre as tramas de "Skyfall" e as dos filmes do Batman, de Christopher Nolan. "Skyfall" se passa um tempo depois dos dois filmes anteriores, provavelmente alguns anos, e mostra um herói mais maduro que tem que enfrentar as limitações físicas dos ferimentos e da própria idade. Outros elementos, como um vilão com senso de humor "curioso" e que está sempre a frente dos "mocinhos" (inclusive sendo preso de propósito), também remetem aos filmes de Nolan. Essas semelhanças podem ser apenas coincidências, mas parece que Skyfall bebeu um pouco da fonte de Batman.

Sendo uma história original ou não, o que importa é que "Skyfall" recupera o prestígio da saga. Sam Mendes, que pode voltar para a próxima continuação, faz um ótimo trabalho ao fazer um filme com bastante ação, sem esquecer do desenvolvimento dos personagens. Esse equilíbrio faz de "Skyfall" um dos melhores filmes recentes do 007.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Os Mercenários 2

★★★★☆
Ótimo

Em 2010 Sylvester Stallone reuniu vários astros de filmes de ação em "The Expendables", traduzido aqui no Brasil para "Os Mercenários". O filme fez sucesso e uma continuação foi confirmada para 2012. Stallone, agora com 66 anos, continua desafiando o tempo e a idade, e volta a liderar o seu grupo de Mercenários nessa continuação que, no geral, supera o original.

"Os Mercenários 2" é um filme sem muita frescura — e por frescura eu quero dizer coisas como direção, roteiro, compromisso com a realidade etc — que tem como único objetivo entreter os espectadores. E consegue com sucesso. Até mais do que o primeiro. O filme é capaz de fazer até a menos nostálgica das pessoas sentir saudade daqueles filmes de ação dos anos 80 e 90, principalmente. Ver astros como Sly, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Chuck Norris e os mais "novos" Jason Statham e Terry Crews juntos contra Jean-Claude Van Damme é um sonho para os fãs dos filmes de Ação assim como ver "Os Vingadores" foi para os fãs de HQ.


Se em "Os Mercenários" as presenças de figurões como Schwarzenegger e Willis eram apenas brindes, na continuação a presença deles é o carro chefe de divulgação, já que eles realmente entram em ação, e os elementos do filme funcionam em função deles. Se por um lado isso é bom — as piadas cheias de referências às carreiras dos atores são um dos pontos altos do filme — por outro isso é ruim, pois faz o filme se distanciar ainda mais da realidade. Porém essa distância é criada de uma forma divertida, que acaba funcionando a favor do filme. Um momento que comprova isso é quando o Chuck Norris aparece pela primeira vez. A cena é absurdamente engraçada. Não que o primeiro seja um exemplo de filme baseado na realidade, mas forçando bastante a imaginação até era possível pensar "até que isso poderia acontecer". Mas nessa sequência, qualquer base na realidade é divertidamente ignorada. E até dá pra entender. Não é uma coisa normal ver sessentões ou, no caso de Norris, setentões correndo e atirando por aí. Stallone pode estar lutando contra a idade, mas percebe-se que ela já chegou há um bom tempo para Schwarzenegger, por exemplo. Ou se faz um filme de ação menos realista ou coloca os "tiozinhos" apenas para dar ordens, de trás das mesas.


Outro ponto alto do filme é a trilha sonora. Ela já era destaque no original, e continua ótima.
O roteiro não é grande coisa, mas até melhora em relação ao primeiro filme. Os diálogos estão menos infantis e a história e os personagens, mesmo não muito originais, são menos clichês. Van Damme que tinha recusado um papel no original por achar que o personagem oferecido a ele não tinha profundidade, dessa vez entra no elenco pra fazer o vilão, Vilain. Não sei o que fez mudar de ideia, porque seu personagem não tem muita profundidade e nenhum tipo de background. Perguntas como "de onde ele veio?", "Por que ele faz o que faz?" são completamente ignoradas. Mas, ei, estamos vendo o filme dos sonhos de todo fã de Ação, who cares? Pedir profundidade nos personagens é a mesma coisa que querer que os brucutus atuem. E, sinceramente, se trancassem todos esses atores numa sala, com algumas armas, eu já pagaria para ver.
Mas, dentre tantos atores lendários, quem mais se destaca, mais uma vez, é Jason Statham. De longe é o mais carismático e o responsável pelas melhores cenas de luta (a participação de Jet Li nesse filme é pequena, que nem ele). Porém ver Van Damme com seus spinning kicks é sensacional. A luta dele contra Stallone é demais.


Alguns podem pensar "você apontou tantos defeitos no filme e ainda fala que gostou?". SIM! Posso até relevar os defeitos do filme, mas não posso ignorar que eles existem. "Os Mercenários 2" tem muitos problemas. Nem precisa procurar defeitos para achá-los. É um filme sem profundidade (e alcançá-la nem é o objetivo principal) que não dá para se levado a sério. E é exatamente aí que está o segredo: não levar o filme a sério. É para aproveitar a experiência, rir com os amigos, tentar sacar todas as referências. E o filme tem sucesso no que propõe: apresentar boas cenas de ação e lutas, reunindo um elenco espetacular.

Daqui a 10 anos "Os Mercenários 2" não será lembrado por seus defeitos e sim por ter reunido, pela primeira vez, os principais ícones da história do cinema de ação.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

★★★★☆
Ótimo

Sou fã declarado do Christopher Nolan. Acho um dos melhores diretores de sua geração. Ele sabe como poucos criar e dirigir filmes dos temas mais variados sem soarem bobos e desnecessários, sejam filmes mais modestos ("Amnésia", "O Grande Truque") ou blockbusters ("A Origem", trilogia Batman). É um diretor que sabe muito bem trabalhar com o orçamento que tem. Se tem pouco, faz um trabalho simples e direto, e com muito dinheiro, faz um espetáculo.
Tendo sucesso nos seus últimos filmes, Nolan teve carta branca da Warner Bros para usar 250 milhões de dólares no desfecho da trilogia do Batman. E ele apresenta um filme épico que encerra a jornada do Guardião de Gotham com perfeição, ou quase isso.

Assim como em "O Cavaleiro das Trevas", o filme começa com um prólogo incrível (completamente gravado em IMAX) onde o vilão é apresentado. No filme anterior foi um tenso assalto a banco planejado pelo Coringa. Em "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" temos a espetacular fuga de Bane de um avião, após ter sido capturado pela CIA. O mais impressionante dessa cena é que a fuga foi toda gravada sem efeitos digitais. Dois aviões são utilizados (um é destruído), vários dublês, câmeras IMAX (que pesam mais de 100 Kg) e uma montanha de dinheiro, sem dúvida.

Onde o filme fica em relação a trilogia

"The Dark Knight Rises" fecha muito bem a trilogia. Não diria que é melhor que "The Dark Knight". Na verdade é até meio difícil comparar pois "Ressurge" tem um clima diferente do anterior. Aqui é algo mais político, uma história mais densa, com mais camadas. Gotham é mais uma vez feita refém, mas é uma situação sem precedentes. O terror causado por Bane é mais alarmista que o de Coringa. Enquanto Coringa queria aterrorizar as pessoas (com muita dinamite, pólvora e gasolina), Bane quer destruir a cidade, até não sobrar nada.  E apesar de ser sequência de TDK, o filme tem mais ligações com "Batman Begins". De TDK apenas elementos do final do filme são lembrados (principalmente a morte de Harvey Dent), mas de Begins, toda a história da Liga das Sombras é revisitada.

O desafio de superar o Coringa

Em TDK tínhamos o Coringa, um agente do caos que queria apenas implantar terror, sem "segundas intenções". Já em TDKR, Bane é um mercenário terrorista que quer literalmente destruir a cidade de Gotham, desde a sua economia (fazendo um link com a situação econômica atual no mundo) até a cidade em si, explodindo uma bomba nuclear.
Cabe ao Batman, que desapareceu desde que assumiu a culpa pelos crimes e pela morte de Harvey Dent, há 8 anos, a tarefa de parar Bane, um gigante que não sente dor e que tem um exército de mercenários ao seu comando. Só que Bruce Wayne carrega na pele (e nos ossos, cartilagens, músculos etc) as marcas da época em que enfrentou o Espantalho, Ra's Al Ghul, Coringa e Duas Caras. Ele se vê forçado a sair do seu exílio e arrumar um jeito de "ressurgir" o Batman, apesar das limitações físicas. E isso custará muito caro. Alfred, que sempre o apoiou, teme pelo pior e tenta mostrar a Bruce que o corpo dele não é o mesmo de 8 anos atrás e que Gotham não precisa mais do seu alter ego. Bruce não o ouve e acha que esse talvez seja o momento para que Batman volte à ativa — e vale mencionar que a reaparição do Morcego é sensacional, em grande estilo.

A escolha pelo Bane foi sábia. Pra fechar a história, tinha que ser alguém que fosse fisicamente páreo para o Batman. Um inimigo que significaria um perigo real, que teria o poder de matá-lo. No início, antes do filme começar a ser gravado, rumores diziam que o vilão seria o Charada (inclusive que Johnny Depp o interpretaria). Mas o desafio com o Charada seria algo mais intelectual. Além disso, o Coringa de Heath Ledger já tinha um tom de mistério e usava artifícios enigmáticos (as formas como ele revelava as suas próximas vítimas, por exemplo). Com o Charada o filme correria o risco de repetir um elemento utilizado no filme anterior. E Bane era o inimigo perfeito. Não só forte, mas inteligente. Um vilão com ideologia, mesmo que deturpada. Isso lembra de algo, não? Ra's Al Ghul e a Liga das Sombras, que no início de "Batman Begins" pareciam legítimos, até conhecermos suas verdadeiras ideologistas extremistas. E ideologia é algo contagioso. Ao contrário de Coringa, Bane é alguém que tem um plano maior, de longo prazo (só a preparação de seu plano para Gotham levou meses, no mínimo) e o mais importante: seguidores dispostos a se sacrificar por ele e para que seu plano fosse concretizado — isso é bem mostrado no prólogo, quando um dos seus "irmãos", como ele mesmo o chama (o que mostra ainda mais uma relação baseada na fidelidade), aceita morrer de bom grado sabendo que eles já tinham "começado o incêndio". Já Coringa — que, ao contrário do que disse para enganar Harvey Dent, planejava, sim, mas não a longo prazo — agia por conta própria, não tendo seguidores, no máximo alguns capangas que o serviam por medo. E aí fica a dúvida: É pior um louco com ideologia, ou um louco que apenas quer ver o mundo pegar fogo, pela diversão, sem compromisso? O que é certo é que o Coringa devia estar se sentindo em casa no meio do caos criado por Bane.


Inclusive, a princípio, estava nos planos de Nolan a volta do Coringa no desfecho da trilogia. E seria sensacional se isso acontecesse. Se a cidade foi aterrorizada "apenas" com o Bane, imagine como seria com o Coringa à solta? Mas, como o Heath Ledger resolveu tomar algumas dezenas de remédios e morreu de overdose "acidental", os planos foram por água abaixo.

Tom Hardy não consegue ter uma atuação tão espetacular como a de Ledger — e com uma máscara de metal na cara, nem dava — mas mesmo assim ele está ótimo como Bane. Com sua expressão facial limitada, ele só poderia usar três elementos na sua atuação: o olhar, a postura e a voz. E ele tem sucesso em pelo menos dois desses três elementos. Seu olhar sempre consegue transmitir o que ele sente no momento. Seja raiva, tranquilidade, ou até vulnerabilidade, como numa cena mais pro final do filme, onde é revelado uma parte importante de seu passado. Com sua postura corporal, ele passa um ar de superioridade, de autoridade, mostrando que Bane é alguém para ser temido. Tom Hardy não é muito alto, apenas musculoso (se você já o achava musculoso em "Guerreiro", vai se surpreender mais ainda). Mas, com todo o seu trabalho de postura, auxiliado pela fotografia, que sempre se preocupa em filmar Hardy de baixo para cima com o objetivo de fazê-lo parecer maior, o 1,78m de Hardy parece se transformar em quase 2 metros. Já a voz é um fator que incomoda. Muito criticada nas primeiras exibições do filme por não dar para entender o que Bane dizia, sua voz sofreu mudanças e redublagens até chegar na que ouvimos hoje. Mas o que me incomodou não foi o efeito da voz, que achei que ficou bem legal, mas sim o modo de falar do Tom Hardy, ou o sotaque. Pelos trailers, sua voz parecia ser mais forte, imponente. No filme, como já ouvi de algumas pessoas, parece a voz de um velho ofegante. É compreensível que o motivo do som ofegante é por ele estar sempre respirando um gás que faz sua dor desaparecer. Mas é inegável que causa estranheza.

Hans Zimmer e Wally Pfister: essenciais na trilogia de Nolan

A fotografia, sempre destaque nos filmes de Christopher Nolan, é maravilhosa. Gotham, ainda mais do que em "Begins" e "O Cavaleiro das Trevas", ganha vida através das lentes de Wally Pfister, diretor de fotografia de praticamente todos os filmes de Nolan. Além de "truques" mais simples (como filmar Tom Hardy com um ângulo mais baixo), a fotografia do filme tem sucesso em cenas muito mais complexas, como as de ação, que são muito bem filmadas, além de ter quase uma hora de cenas gravadas em IMAX.

A trilha sonora de Hans Zimmer, mais uma vez, é primorosa. Um espetáculo a parte. Cria tensão quando é pra criar e emociona quando é pra emocionar. Mas, ironicamente, no momento de maior tensão (a primeira luta entre Batman e Bane) e de maior emoção (a conversa "definitiva" entre Bruce e Alfred) a trilha sonora para. É nula. A tensão e emoção são apenas apoiadas nas atuações. Principalmente quando Alfred abre o jogo com Bruce. Christian Bale e Michael Caine dão um show. Provavelmente é o momento mais emocionante de toda a trilogia. É de cortar o coração. Michael Caine, em especial, merece até uma indicação ao Oscar por Melhor Ator Coadjuvante. Sempre que ele aparece (mesmo aparecendo menos dos que nos filmes anteriores) o filme ganha qualidade. Até que não ganhe, mas um reconhecimento pelo seu trabalho seria justo.

Uma nova leva de personagens

Confesso que tinha receio quanto à Anne Hathaway. Mas ela faz um trabalho excepcional como Selina Kyle. Sua atuação com nuances inesperados fazem a personagem ser imprevisível. Os modos como ela muda suas expressões faciais e corporais são de quem sabe muito bem o que está fazendo. Ela passa de garota indefesa a femme fatale em um segundo. Muita gente vai continuar tentando compará-la com a Michelle Pfeiffer, mas são personagens, histórias e universos diferentes. Tirando a roupa preta e o nome, não há nenhuma semelhança entre as duas personagens. A gatuna de Anne Hathaway é uma espécie de Robin Hood moderno. O olhar e toda a expressão e entonação de voz da Selina Kyle quando ela fala para Bruce Wayne que os ricos de Gotham logo vão imaginar como eles pensaram que podiam viver com tanto e deixar tão pouco para o resto das pessoas, revela o ódio, o nojo, que ela tem dessa forma de viver dos ricos, ostentando o que tem enquanto muitos passam fome. Isso mostra bem que ela faz o que faz por um motivo, ao contrário da Mulher Gato de Pfeiffer, que apenas faz o que dá na telha, além de procurar vingança.
Uma coisa interessante é que em nenhum momento Selina Kyle é referida como Mulher Gato. Mas as referências estão sempre lá. No baile de máscaras, após conversar com Bruce (e avisar da vindoura tempestade), ela sai da festa e o seu acompanhante fala pra Bruce que ele a "afugentou", como muitas vezes acontece quando uma pessoa tenta se aproximar de um gato, ou qualquer animal desconfiado. Esses tipos de metalinguagens e piadinhas estão sempre presentes em filmes do Batman, principalmente nos de Nolan.

Inclusive, no mesmo baile de máscaras Bruce Wayne é o unico a ir sem máscara. Como se ele próprio fosse a máscara do Batman, a verdadeira natureza de Bruce. Importante lembrar que isso já foi utilizado em "Batman Returns" quando o Bruce de Michael Keaton também se encontra com Selina Kyle num baile de máscaras e ambos são os únicos sem máscaras. É lá que um descobre a identidade do outro.


Outro pesonagem que vinha sendo bastante esperado pelos fãs é o Blake, interpretado por Joseph Gordon Levitt. Ele é um policial idealista que logo conquista a confiança do Comissário Gordon (Gary Oldman, mais apagado que em TDK, mas ainda assim muito bem) e vai crescendo ao decorrer da história. Assim como Miranda Tate, que começa apenas como uma possível parceira de Bruce Wayne na luta para melhorar a cidade e se transforma numa personagem importantíssima. Marion Cotillard está mais linda do que nunca, mesmo que a sua atuação seja burocrática.

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Interessante notar que todo o conceito do "Rise" do título, que foi traduzido como "Ressurge", mas na verdade é algo como "Ascende", é utilizado não somente na figura do Batman ao longo do filme. Logo antes do Bane derrubar o avião na sua fuga ele fala que o fogo "subia" (the fire rises), tinha começado; O Batman ascende duas vezes no decorrer do filme (a 2ª bem mais simbólica); Os policiais, que ficaram presos no túnel durante um bom tempo, ascendem no final e vão, praticamente sem armas, combater o exército de Bane. Eles sabiam que poderiam morrer, mas queriam lutar pela cidade e pela suas famílias, não importando o que acontecesse; E, por fim, depois de quase ser destruída, é a esperança que ressurge quando todos pensavam que tudo estava perdido e que Batman não voltaria mais.
O que eu quero dizer é que Christopher Nolan (que não só dirigiu, mas roteirizou toda a trilogia, junto com o seu irmão, Jonathan) faz questão de conectar tudo. Desde o título, até temas usados nos dois filmes anteriores que são revisitados aqui de alguma forma. Com outros diretores isso poderia ser usado de um jeito errado, fazendo parecer repetitivo, mas Nolan usa isso para aprimorar a história. E aí, mais uma vez, percebe-se como ele é um diretor diferenciado.



A trilogia de Christopher Nolan é o que sempre quisemos ver em filmes do Batman — e, por que não, filmes de super herói, em geral? Os dois Batman de Tim Burton tem seus méritos, mas não chegam aos pés do mundo que Nolan criou nesses três filmes. Muito menos aquelas duas bombas de Joel Schumacher. Esse universo de Batman é crível. É um mundo violento, corrupto, e nada colorido (ao contrário dos filmes antigos). E ao longo desses três filmes, aprendemos a nos importar com os personagens e suas histórias e, principalmente, com Gotham, que é a maior personagem nessa trilogia. "O Cavaleiros das Trevas Ressurge" não é um filme perfeito. Tem defeitos, sim, e alguns incomodam. Mas eles não chegam a comprometer o resultado final. O final é digno de aplausos (literalmente, nas duas sessões que fui o pessoal aplaudiu) e o filme fecha com louvores essa saga do Homem Morcego.