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quarta-feira, 5 de junho de 2013

[Curtas] Deus da Carnificina / Coriolano

Deus da Carnificina
★★★★☆
Ótimo
Eu gosto muito de filmes que se passam em apenas um ambiente pois, mesmo superficialmente simples, na prática são bem mais complexos. O roteiro, a direção, a fotografia, a direção de arte... Tudo tem que ser 10 vezes mais preciso porque não há distração. O filme é todo baseado na força dos diálogos, nos personagens e no ambiente. E em filmes com esse estilo, não há como mascarar atuações. O ator tem que dar tudo de si. Fora que o recurso da Mise-en-scène ganha ainda maior importância. A movimentação dos atores tem um papel fundamental no contar da história.

E "Carnage" é um bom exemplo de como a boa execução desses fundamentos e um elenco de peso (dos 4, 3 são ganhadores de Oscar) fazem a diferença.
As atuações são primorosas, com destaque para a sempre excelente Kate Winslet e Christoph Waltz. John C. Reilly não brilha tanto, mas também está muito bem. Já a Jodie Foster tem momentos que parece estar meio "over", mas no geral também não decepciona.

Roman Polansnki conseguiu adaptar muito bem a peça para o cinema, fazendo um filme bem divertido. A maneira como a cordialidade dos pais vai sendo substituída por um certo antagonismo (começando com algumas simples alfinetadas), criando o caos, é sensacional. Mesmo que em alguns momentos os conflitos soem meio forçados, o resultado do filme é ótimo.
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Coriolano
★★☆☆☆
Razoável

Uma boa ideia, mas que não foi executada da melhor maneira.
É interessante ver o Império Romano no século XXI, mas o texto literalmente tirado da obra de Shakespeare acaba soando bem artificial no contexto do filme e nos distancia da obra, não apenas por muitas vezes ser de difícil entendimento, mas por citar coisas que não se aplicam mais ao nosso tempo — como espadas, por exemplo, que são muitas vezes citadas, mesmo não fazendo parte do nosso mundo. Uma adaptação mais moderna do texto, sem mudar a essência da história, ajudaria o filme.

Outra coisa que poderia ter sido melhor trabalhado é o lado "militar". Os exércitos de Roma e Volscos parecem apenas pelotões, nada semelhante a grandeza do exército de um Império. Fica até difícil acreditar como o exército de Aufidius, que mais parece um grupo de guerrilheiros, poderia ameçar um Império do tamanho do Romano.

É um filme interessante, mas que poderia ter sido melhor.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Substituto

★★★★★
Excelente


"Detachment" (no original) é o 6º filme de Tony Kaye, diretor mais conhecido pelo forte "A Outra História Americana" — que rendeu Edwart Norton uma indicação ao Oscar pelo seu papel de um Neo Nazista.
Em seu novo filme, Kaye aborda não só o problema na educação atual, mas expande a visão procurando a fonte desse problema, que tem piorado nas gerações atuais. Vemos alunos cheios de raiva, pais irresponsáveis e incompreensíveis e professores estressados, que muitas vezes levam seus problemas pessoais para a escola, comprometendo suas funções e relacionamentos com os alunos. Falta compreensão e a única coisa que todos compartilham, é o vazio que sentem, por mais contraditório que soe.

Até Henry Barthes (Adrien Brody, numa atuação arrebatadora), que é uma boa pessoa e professor inspirador, carrega seus demônios do passado que o impedem de se relacionar com pessoas e amá-las/ser amado — o nome original do filme, que quer dizer desapego ou distanciamento, é exatamente sobre isso. Quando o perguntam o porquê de ter escolhido essa profissão, ele foge da questão, mas durante o filme fica claro que esse seu problema é o verdadeiro motivo que o leva a ser um professor substituto (não querer ficar muito tempo num lugar e se apegar aos alunos) e ter entregado Erica, uma adolescente que se prostitua e foi acolhida por ele, ao Serviço Social — ele só se "livra" dela depois dos dois terem criado um laço muito forte.

Todos os personagens tem dificuldades em sua vida pessoal que comprometem seus deveres. Seja professores que não conseguem mais dar conta do ensino, pais que negligenciam os filhos (a sequência da reunião dos pais mostra bem isso) ou alunos com problemas de auto-estima que não conseguem ter uma vida normal (dentro e fora da escola). O próprio Henry consegue conquistar e inspirar os alunos, até os mais problemáticos, mas uma vez que ele vai embora, ninguém pode assegurar que eles continuem no caminho certo. Se ele não tivesse seus conflitos e conseguisse assumir um compromisso com pessoas, provavelmente ele faria uma maior diferença na vida desses jovens que precisam de um modelo a seguir.


A fotografia do filme, feita pelo próprio Tony Kaye, assume um ar documental nas cenas da escola, se afastando um pouco dos personagens — talvez para reforçar a distância emocional. Já fora dela, primeiros e primeiríssimos planos são muito utilizados, procurando extrair o máximo da emoção dos personagens.
A montagem nervosa retrata perfeitamente o caos, principalmente na vida de Henry (vemos muitas cenas de seu passado e presente em certos momentos). O roteiro do estreante Carl Lund é muito bom, explorando a vida dos personagens e fazendo questionamentos oportunos — e ainda é potencializado pela direção de Kaye que o transforma num belo e poderoso filme.

"O Substituto" é interessante por não ser uma simples história de um professor que chega na escola e muda a vida do lugar e dos alunos. Aqui não há professores heróis, apenas seres humanos danificados. O caos está em todo lugar, inclusive dentro de cada personagem. E reconhecê-lo, entender sua origem, é vital para combatê-lo e encontrar a distante e já esquecida paz.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

[Curtas] O Poder E A Lei

★★★★☆
Ótimo

Filmaço. Algumas pessoas podem achar um pouco chato por se passar muito tempo no tribunal, mas para quem gosta vale muito a pena.

A trama é inteligente e o roteiro consegue facilitar o entendimento das questões legais sem soar didático demais, além de amarrar bem a maioria das pontas da história — [selecionar o texto a seguir para ler o spoiler] (só achei sem sentido nem passar pela cabeça de Mick que outra pessoa, a mando de Roulet, poderia ter matado Levin). .

A direção aposta em planos fechados no rosto dos personagens, coisa que eu não sou muito fã, mas que ajuda a tornar o filme mais "pessoal", aproximando mais (literalmente) os personages do público. Esses primeiríssimos planos também servem para mostrar a mudança no semblante de Mick Haller, o protagonista, no decorrer do filme, com suas olheiras ficando cada vez mais fundas ao passo que ele vai se afundando no caso.
Achei muito interessante também o dilema moral criado no filme. A príncipio o personagem de Mick é retratado como um advogado sem escrúpulos, que faz tudo para ganhar e só pensando no dinheiro. Mas aos poucos vamos vendo que ele realmente tem uma consciência e quer fazer a coisa certa. Como ele mesmo fala, após tantos anos defendendo criminosos, ele não consegue mais acreditar na inocência, mesmo alegando que seus cliente são inocentes. Ele é um personagem em conflito com seus ideais e ações, longe de ser perfeito herói. Apenas humano.
Mick Haller é um ótimo personagem. E Matthew McConaughey o interpreta de maneira competentíssima. Grande atuação.

"O Poder E A Lei" é um dos melhores filmes sobre crimes que vi recentemente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Segredo Da Cabana

★★★★★
Excelente


Apesar da primeira cena, que pode parecer fora de contexto pros desavisados, "The Cabin In The Woods" começa como um filme de terror normal, com a já batida história do grupo de amigos que vai passar uns dias numa cabana longe de tudo. Mas, não se engane, o filme pega essa premissa para fazer algo nunca visto nos filmes de terror e, aos poucos, a história se revela bem mais complexa do que parece.

O filme não chega a ser muito assustador, mas o que acaba conquistando o telespectador nem é o terror, mas a história (e o problema é que fazer uma análise do filme sem revelar detalhes da história é praticamente impossível). Você fica tentando adivinhar o que diabos está acontecendo naquele lugar e formulando várias teorias que vão mudando no decorrer do filme — desde o início dicas vão sendo dadas, mas não antes da metade do filme o espectador consegue ter uma idéia do que está acontecendo. E Joss Whedon mais uma vez não decepciona. Roteirista e produtor (ele deixou a direção para Drew Goddard que co-roteirizou o filme e, apesar de já ter uma boa carreira como roteirista, é novato na direção), ele consegue fazer uma homenagem — ou seria uma "paródia"? — aos filmes de terror ao mesmo tempo em que reinventa o gênero. Ponto para Whedon e Goddard que souberam construir um roteiro coeso, capaz de atiçar a curiosidade do espectador sem subestimar sua inteligência.


O humor negro e as referências à outros filmes de terror também são pontos altos do filme. Desde os esteriótipos dos pesonagens às situações. Marty implorando para Dana não ler a parte em latim de um diário sombrio pode remeter à Evil Dead (ou vários outros filmes, já que ler textos em latim NUNCA é uma boa ideia), enquanto um quebra cabeça em formato de esfera que invoca um monstro lembra Hellraiser, por exemplo. E ainda pequenas coisas, como o porquê de os personagens largarem uma ferramenta que acabaram de usar para matar quem ou o quê os perseguiam. Todas esses detalhes tornam o filme ainda mais divertido.

No elenco destacam-se (além das duas belas mulheres do grupo, claro) Fran Kranz (o maconheiro Marty) e Richard Jenkins (Sitterson). Eu até cheguei a pensar que Chris Hemsworth tinha entrado no filme por causa de "Thor" e "Os Vingadores" (principalmente o último, que foi dirigido por Whedon), mas provavelmente foi ao contrário, já que "The Cabin In The Woods", mesmo sendo lançado só agora, foi filmado em 2009, quando os dois filmes da Marvel nem tinham entrado em produção. O motivo do atraso do lançamento foi que o estúdio queria converter o filme para 3D, mesmo contra a vontade de Whedon e Goddard. O estúdio acabou desistindo e o filme ficou "engavetado" até ser lançado esse ano. Uma curiosidade é que Fran Kranz e Amy Acker trabalharam juntos com Whedon em Dollhouse.


Outra coisa legal é que Joss Whedon e Drew Goddard tiveram tudo para encerrar o filme de uma maneira que desse abertura para uma sequência, que é a tendência na indústria cinematográfica. Mas contrariando isso, eles escolheram terminar de um jeito que praticamente descarta uma continuação, o que achei corajoso. Mais um ponto pro filme (apesar que, confesso, gostaria se rolasse uma continuação).

"The Cabin In The Woods" está na minha lista dos melhores filmes do ano!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret - Oscar 2012

★★★★★
Excelente

Martin Scorsese é um figura recorrente no Oscar. Apesar de ser um dos maiores diretores vivos, só teve sua genialidade reconhecida em 2007, com "Os Infiltrados" - que nem é o melhor filme dele. O responsável por "Os Bons Companheiros" e, do mais recente, "A Ilha do Medo" aparece esse ano com um dos seus melhores filmes da sua fase atual. Filme esse que tem o maior número de indicações ao Oscar 2012 - 11, no total.

"A Invenção de Hugo Cabret" (ou apenas "Hugo", no original) faz o espectador viajar na Paris dos anos 30. O filme se passa na sua maior parte numa estação onde Hugo vive. Ele é um menino solitário que, por ser órfão, vive escondido entre as "paredes" da estação, observando cada personagem daquele lugar, onde ele foi morar depois da morte de seu pai (Jude Law), um relojoeiro que lhe ensinou tudo o que sabia. Se ele for descoberto pelo guarda da estação (Sacha Baron Cohen, sempre dando seu toque cómico), será mandado imediatamente para um orfanato. Georges Méliès (Ben Kingsley), um dos comerciantes da estação, pega um caderno de anotação de Hugo, como castigo pelos constantes roubos de ferramentas praticado pelo garoto. Esse caderno pertencia ao seu pai e continha informações para fazer um autômato (uma espécie de robô inteiramente mecânico), achado por ele, funcionar. Antes do pai de Hugo morrer, os dois trabalhavam no conserto desse autômato e consertá-lo virou a obsessão de Hugo, afinal, era a única coisa que ainda o ligava ao pai. Só que o que Hugo não imaginava, é que esse autômato guarda um segredo que vai mudar não só sua vida, mas de outras pessoas.

A atuação do menino Asa Butterfield é emocionante. O potencial que ele já tinha mostrado no ótimo "O Menino do Pijama Listrado" agora é confirmado em Hugo. Chloe-Grace Moretz está encantadora como Isabelle, a garota aventureira (afilhada de Méliès) que vira a amiga e aliada de Hugo na busca da solução do "mistério do autômato". Ben Kingsley, como já é esperado, dá o tom dramático necessário, perfeito, sem exageiros e tem uma bela atuação. E ainda tem Emily Mortimer e Christopher Lee em papéis menores, mas importantes para o desenvolvimento da história.
E não só na bela história e no roteiro impecável que vemos o capricho que Scorsese teve com "Hugo". Em todos os momentos, em cada ângulo em que as cenas foram filmadas, na trilha sonora, edição, tudo foi pensado, cuidadosamente, nos mínimos detalhes.

"A Invenção de Hugo Cabret" provavelmente não vai levar o Oscar de Melhor Filme, mas com certeza é um dos melhores (senão o melhor) da lista - e do ano. É um filme que homenageia o cinema (assim como O Artista), emociona e te faz pensar - sem parecer forçado (como acontece com "Histórias Cruzadas", por exemplo).

"Eu imaginava que o mundo inteiro era uma máquina enorme. As máquinas não vêm com peças a mais. Elas sempre vêm com a quantidade exata. E se o mundo inteiro é uma máquina, eu não sou uma peça a mais. Tenho um motivo para estar aqui. E você também tem."

Essa fala dita por Hugo, um garoto que sempre viveu entre máquinas, representa bem a essência do novo filme de Scorsese. Todos os personagens no filme, estão a procura do seu lugar, do motivo ou propósito que faça a vida deles fazer sentido. Desde o próprio Hugo até Georges Méliès que, mesmo uma vez já tendo encontrado o seu lugar, acabou o perdendo no meio do caminho. E, de uma forma ou de outra, os destinos dos dois estão ligados.
E, assim como os personagens do filme, o que somos nós senão peças procurando nosso lugar nessa grande máquina? Alguns já acharam, outros continuam procurando, outros desistiram de procurar. Mas todos nós temos um propósito. Cabe a nós achá-lo.

Hugo
EUA , 2011 - 126 min.
Aventura/Drama/Mistério
Direção:
Martin Scorsese Roteiro: John Logan
Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Emily Mortimer, Christopher Lee, Ray Winstone, Helen McCrory, Jude Law, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths
 
Indicações ao Oscar: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor roteiro adaptado, Melhor trilha sonora original, Melhores efeitos visuais, Melhor fotografia, Melhor figurino, Melhor direção de arte, Melhor montagem, Melhor edição de som, Melhor mixagem de som.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Artista - Oscar 2012

★★★★☆
Ótimo

Numa época em que os filmes em 3D e cheios de efeitos especiais cada vez ganham mais força (e dinheiro), dominando as salas de cinema, o diretor Michel Hazanavicius nada contra a corrente ao fazer um filme preto e branco e, ainda por cima, mudo. E essa coragem de fazer o diferente pode significar a consagração não só dele, mas de toda sua equipe. "O Artista", além de ser o favorito ao Oscar, recebeu 10 indicações - só fica atrás de "A Invenção de Hugo Cabret", com 11.

O filme segue a trajetória de glória e decadência de George Valentin (Jean Dujardin), um famoso ator do cinema mudo que vê sua carreira fracassar com o começo do cinema falado. Ainda no auge da cerreira, ele conhece a fã Peppy Miller de forma inusitada. Esse "encontro" impulsiona a carreira de Peppy (Bérénice Bejo), que também é atriz. Eles até chegam a fazer um filme juntos, mas quando o som chega ao cinema, os destinos deles se separam (ao menos temporariamente). Enquanto George é muito orgulhoso para entrar nessa nova "onda", Peppy entra de cabeça e acaba virando uma grande estrela.

Desde o primeiro filme com som, em pouco tempo o cinema mudo foi "engolido" pelo cinema falado - em 2 anos a esmagadora maioria dos filmes produzidos em Hollywood tinha som. E muitos atores que não acompanharam essa mudança acabaram ficando pelo meio do caminho. E isso que acontece com George Valentin. Junto com o seu emprego, George também perde sua identidade - dilema muito parecido com o de Norma Desmond, de "Crepúsculo dos Deuses" (1950). Para um artista decadente, o profundo anonimato é o pior dos pesadelos. E esse pesadelo acaba virando realidade. Essa questão é muito bem representada quando George vai ver o novo filme de Peppy e, na saída, uma mulher o para. Mas por causa do cachorro dele e não por tê-lo reconhecido. Esse drama de George também dá origem a uma das cenas mais interessantes do filme; após ter tido contato pela primeira vez com o som num filme, ele parece reagir com descrença, e zomba do que acabara de ver. Mas na verdade isso mexe com ele e o deixa inseguro. E ele sonha com tudo ao seu redor começando a fazer barulho, menos ele, que até tenta gritar, mas nenhum som sai de sua garganta. Simbolismo perfeito para a fase que ele vai viver a partir daquele momento. O mundo que ele fazia parte mudou, e ele acabou ficando obsoleto, ultrapassado, sozinho - em uma cena ele passa por um cinema onde tem escrito "Lonely Star" (estrela solitária), mas um detalhe que ajuda na compreensão do personagem.

A direção de arte do filme capricha bastante nos detalhes para recriar as décadas de 20/30, e todo o charme do cinema mudo. E ver como eram feitas as gravações - como a cena em que vários takes são repetidos, até ficar bom - também é interessante.
Os atores estão muito bem, com destaque para Jean Dujardin, que parece que nasceu para o cinema mudo. As expressões faciais fortes e até seu jeito de se mover casam muito bem com a proposta de "O Artista". É um forte candidato ao Oscar de melhor ator - ele já ganhou o BAFTA, entre outros prêmios.

"O Artista" é o favorito ao Oscar, o que não quer dizer que é o melhor, mas, no geral, é um ótimo filme. Pode parecer estranho por ser algo bem diferente do que estamos acostumados a ver, mas isso é uma coisa boa. Filmes com tiroteios, carros, vampiros, super heróis, robôs, aliens etc temos aos montes. Mas um filme que resgata e homenageia o cinema de quase 100 anos atrás é um raridade, que merece ser vista e prestigiada.

The Artist
França/Bélgica, 2011 - 100 min.
Comédia/Drama

Direção:
Michel Hazanavicius Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller Indicações ao Oscar: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor atriz coadjuvante, Melhor roteiro original, Melhor trilha sonora original, Melhor fotografia, Melhor figurino, Melhor direção de arte, Melhor montagem.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Homem Que Mudou o Jogo - Oscar 2012

★★★☆☆
Bom

Quais as chances de um filme sobre beisebol ser bem recebido por brasileiros? Nos Estados Unidos é um dos esportes mais populares, já no Brasil ocupa uma posição bem baixa na lista de preferência, bem perto do hóquei, por exemplo. Mas "O Homem Que Mudou o Jogo" ("Moneyball") contraria as probabilidades e consegue ganhar o espectador do Brasil - pelo menos aquele que gosta de cinema. Grande parte graças à forma como o personagem principal, Billy Beane, é introduzido (e desenvolvido) e como a história  (real) é conduzida - não sendo necessário ser conhecedor do esporte para curtir o filme.

Se apoiando no carisma de Brad Pitt, Bennett Miller sabiamente não foca apenas no esporte, mas explora bem os dramas de Billy Bean, uma ex-promessa do beisebol que acabou não vingando. Com a carreira de jogador encerrada, Billy se dedica a um outro cargo no esporte: o de general manager, ou "gerente geral" (cargo aparentemente mais importante que o de técnico). A função do manager basicamente é cuidar da negociação de jogadores. O problema é que Billy trabalha para o Oakland Atlethics, um time que não tem muita grana, e que vinha de uma derrota vergonhosa para o Yankees na última temporada. Numa tentativa de negociação com um outro time, Billy conhece Peter Brand (Jonah Hill), um jovem economista, que logo chama a sua atenção pelo jeito diferente de enxergar o esporte e as negociações - usando estatísticas dos jogadores, ele faz uma equação que define se o investimento vale ou não a pena. Billy contrata Peter e os dois começam a (re)formar o time (que já tinha perdido alguns jogadores importates) para a próxima temporada. Billy começa a sofrer resistência dos olheiros, do técnico e do próprio presidente do clube quando, baseado nos conhecimentos de Peter, começa a contratar jogadores desacreditados - seja por serem indisciplinados, com problemas de saúde ou outros motivos - e os resultados favoráveis não acontecem. Com seu emprego e sua reputação em risco, ele tem que decidir se vai continuar apostando no sistema de Peter ou se vai se render a pressão dos dirigentes do clube.

Brad Pitt está bem no papel, mas acho que ele está ainda melhor em "A Árvore da Vida". Só que em "Moneyball", Pitt é o centro do filme, o que já não acontece no filme de Terrence Malick. Já a indicação de Jonah Hill ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante é uma das coisas mais bizarras da premiação nos últimos anos, mesmo ele já tendo sido indicado pra outras premiações, como o Globo de Ouro. É um bom ator fazendo provavelmente seu papel mais sério na carreira mas que, mesmo assim, ainda destoa dos outros indicados. Nomes como Robin Wright e Philip Seymour Hoffman, que interpreta muito bem o técnico do time (e opositor ferrenho de Billy), ainda compõe o elenco.

"O Homem que Mudou O Jogo" estreou em poucas salas no Brasil e não deve fazer muito sucesso (pelo menos na telona), mas mesmo assim é capaz de fazer com que um amante do futebol pare por 2 horas e curta um filme sobre um esporte que, pra nós, é tão difícil de entender. Mérito não do beisebol, mas do filme em si, que é bom, muito bem feito e não se limita ao campo (trabalhando os dramas dos personagens), prendendo a atenção de quem assiste.

Moneyball
EUA , 2011 - 133 min.
Drama
Direção: Bennett Miller 
Roteiro: Steven Zaillian, Aaron Sorkin
Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill,
Philip Seymour Hoffman, Robin Wright, Chris Pratt, Stephen Bishop, Brent Jennings, Ken Medlock, Tammy Blanchard, Jack McGee, Kerris Dorsey 
Indicações ao Oscar: Melhor filme, Melhor ator, Melhor ator coajuvante, Melhor roteiro adaptado, Melhor montagem, Melhor mixagem de som

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas - Oscar 2012

★★★☆☆
Bom

Estados Unidos. Década de 60. Uma América racista tratava os negros como se fossem uma raça inferior, os privando de direitos básicos de uma sociedade livre. A segregação racial levantava muros entre brancos e negros - patrões e empregados.
A recém-formada jornalista Skeeter Phelan (Emma Stone) via essas injustiças e não suportava. Ela então decide escrever um livro com relatos de empregadas domésticas denunciando os maus tratos de seus patrões brancos. Tarefa nada fácil, já que as empregadas resistiam em dar os depoimentos, temendo perderem o emprego ou até sofrerem outras formas de represálias - naquela época, o movimento pelos direitos civis crescia, e negros eram mortos e presos sem nenhuma razão. Mas Skeeter consegue convencer Aibileen (Viola Davis) - empregada de Hilly (Bryce Dallas Howard) - e, mais tarde, Minny (Octavia Spencer), a dar os depoimentos.
Skeeter meio que vivia uma vida dupla. Sua família e amigas faziam parte dessa sociedade opressora. Mas, por outro lado, ela ouvia e escrevia as histórias das mulheres negras, tentando ajudá-las a sair dessa situação exploratória.

O elenco, quase todo feminino, está muito bem. Viola Davis é a única que pode tirar o Oscar de Melhor Atriz de Meryl Streep (por "Dama de Ferro), e Octavia Spencer provavelmente ganhará por Melhor Atriz coadjuvante. O filme não vinha tendo muitas apostas para ganhar o prêmio principal do Oscar mas, depois de ter faturado o SAG Awards, ganhou um novo fôlego.

"Histórias Cruzadas" fala de um tema já muito explorado, mas ainda atual. O racismo continua presente na sociedade nos dias de hoje, embora em menor proporção. O filme, mesmo tendo bastante de diálogos, mostra em algumas cenas detalhes que traduzem o dia a dia e o pensamento daquela época. Como, por exemplo, o bairro onde as "pessoas de cor" moravam. Todas as mulheres saíam, como um bando, com a mesma roupa, para trabalhar como empregadas - ou procurar uma casa que as aceitassem como empregadas. Era como se as mulheres negras nascessem apenas para esse propósito - servir os brancos. Outro exemplo é a bandeira dos Estados Confederados do Sul (união de Estados escravocratas, que perderam a Guerra Civil) vendidas nas mesmas lojas onde os livros de Skeeter eram vendidos. Até hoje essa bandeira é símbolo de racismo nos Estados Unidos. E os livros serem vendidos nas mesmas lojas que visitadas por racistas, retrata uma mudança que já estava começando a aparecer nos Estados Unidos.

Mas a impressão que fica é que o filme peca por mostrar demais, tendo um clima quase que didático. Todos sabem que racismo é ruim, e os negros foram muito explorados naquela época. Apesar de ter imagens que falam por si só (como já foi citado), se a mensagem fosse um pouco mais implícita poderia ser melhor.
É um bom filme. E do tipo que a Academia gosta. Emociona, tem momentos de descontração, um elenco forte e uma história de superação. Mas parece faltar algo.

The Help
EUA , 2011 - 146 min.
Drama
Direção: Tate Taylor
Roteiro:
Tate Taylor
Elenco: Viola Davis, Emma Stone, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain, Ahna O'Reilly, Allison Janney, Anna Camp, Sissy Spacek, Chris Lowell, Mike Vogel, Cicely Tyson
Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Atriz (Viola Davis), Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer e Jessica Chastain)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Árvore Da Vida - Melhores Filmes de 2011/Oscar 2012

★★★★★
Excelente

"O coração de um homem tem duas formas de encarar a vida. A forma da natureza. E a forma da graça. Você deve escolher qual das duas seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Ela aceita ser desprezada, esquecida, rejeitada. Ela aceita insultos e machucados. A Natureza apenas tenta agradar a si própria."

Eu costumo (e prefiro) analisar os filmes apenas como espectador, de uma maneira impessoal. Mas não sei se conseguiria fazer isso com "The Tree Of Life", no original. Acho que é uma experiência em que cada um vai entender - e reagir - de uma forma.

Uma coisa é certa: é impossível não gostar muito, ou gostar apenas um pouco de "A Árvore da Vida". Esse é o tipo de filme que causa profunda admiração ou ódio. Conheço pessoas que amaram o filme, outras que odiaram, e outras que nem tiveram paciência para ver até o final.
Realmente, é um filme um tanto difícil de digerir. Muitos simbolismos, filosofia, questionamentos, poucos diálogos, ritmo meio "lento" e imagens aparentemente aleatórias que podem, a primeira vista, cansar quem está assistindo. No começo eu cheguei a pensar algo como: "estou vendo um filme ou um documentário do Discovery Channel?" Parece que Terrence Malick pegou um monte de imagens (lindas) aleatórias e foi colocando no filme, sem nenhum critério. Mas ao decorrer do filme eu fui percebendo que as imagens não são tão aleatórias e sem sentido assim.

Na sua origem, "A Árvore da Vida" é um filme sobre família, infância e dor da perda. Até aí tudo bem, nada de muito novo. Mas quando tudo isso é misturado nós temos uma história mais complexa. A família O'Brien  por fora parece ser perfeita, mas na verdade é oprimida por um pai (Brad Pitt) que, apesar de amoroso, é intolerante e comanda a casa com mãos de ferro. Na figura desse pai que é representado um coração que escolheu seguir a "forma da natureza", citado no início dessa crítica. Já na figura da mãe, a "forma da graça". A morte de um dos 3 filhos, afeta a todos (o pai em menor escala, que parece tentar esconder seus sentimentos), e vemos toda essa situação pelo olhar de Jack (Hunter McCracken), o filho mais velho, que tenta lidar com a dor da perda do irmão, além do seu crescente rancor que vai guardando pelo seu pai - rancor esse que, em certo momento, o faz pedir a Deus para matar o pai. Uma mistura capaz de marcar uma criança pelo resto da vida. E é isso que acontece.
O filme não segue uma linha temporal e, logo somos apresentados a um Jack 40 anos mais velho (Sean Penn), que ainda não se desprendeu do passado e questiona Deus pela morte de seu irmão. E é com base nos questionamentos de Jack e de suas lembranças que o filme funciona. Com poucos diálogos até nas suas lembranças, os pensamentos de Jack é que vão guiando o telespectador pelas imagens que vão sendo apresentadas.

Apesar de ter um tom religioso, "A Árvore da Vida" não faz questão de pregar nenhuma mensagem, dando espaço a várias formas de interpretação. Num dos questionamentos de Jack, ele pergunta a Deus: "Onde você estava (quando o irmão morreu)"? Quem somos nós para Você?"; E então somos apresentados a uma das cenas mais comentadas: a da origem de tudo. Mais de 10 minutos com lindas imagens do Universo, logo na primeira parte do filme - o que pode afastar os mais apressadinhos que querem explicações de tudo logo. No mesmo momento em que alguns podem interpretar que Deus criou tudo desde o início, assim como Ele nos criou e tem um propósito para tudo (como aponta o versículo da bíblia que abre o filme), outros podem interpretar a cena como a demonstração da insignificância do Homem diante do Universo e de tudo que aconteceu para que ele (o homem) existisse; ou seja, talvez Deus não ligue, talvez Ele não exista. E essas são apenas duas das muitas maneiras de se interpretar.

O filme acerta também no aspecto técnico. Mallick dirige bem seus atores, a trilha sonora quase constante é sensacional e, num filme com poucos diálogos, ajuda a passar as emoções dos personagens; e a fotografia é belíssima. Os planos usados na filmagem, com ângulos na maioria das vezes de baixo pra cima (mesmo nas cenas de Jack adulto), dão a impressão de estarmos vendo o filme sempre pela perspectiva de uma criança.

Com tantos detalhes e cenas abertas para interpretação, seria impossível comentar tudo aqui nesse espaço, mas "Árvore da Vida" é uma experiência que te impossibilita de ficar indiferente. Pode não ser o melhor filme do ano, mas, com certeza, é o mais diferente, o "mais único".

E na cena final, mesmo sem ter muita certeza do que se tratava - talvez o encontro no Paraíso, talvez um misto das memórias de Jack, vai da interpretação de cada um -, senti um estranho nó na garganta. E percebi que "Árvore da Vida", por mais piegas que soe, é um filme que você sente, não apenas vê.

The Tree Of Life
EUA , 2011 - 139 min.
Drama
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Hunter McCracken
Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Fotografia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Melancolia - Melhores Filmes de 2011

★★★★☆
Ótimo

Dá pra ver que Lars Von Trier não se livrou totalmente dos demônios que o levaram a escrever "Anticristo". Apesar das histórias não terem a ver, muitos elementos do seu filme anterior continuam presente em "Melancolia". A dor é sentida nos dois filmes quase na mesma proporção, mesmo não sendo o mesmo tipo de dor.

Dividido em duas partes - Justine e Claire -, o filme começa com um casamento de luxo. Os noivos são Justine (Kirsten Durst) e Michael (Alexander Skarsgård, o vampiro Eric de True Blood.), aparentemente um casal normal e feliz. Aparentemente. Justine se revela uma maníaco-depressiva que parece tentar achar no casamento uma forma de felicidade, ou pelo menos a esperança de se sentir normal. Mas não consegue achar. Já não bastasse a família problemática, Justine começa a ter uma crise depressiva, o que faz com que cerimônia fique por um fio. Michael faz de tudo para agradá-la, mas não parece ser o bastante. Sua irmã Claire e seu cunhado John (Charlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland, respectivamente), que pagaram o casamento, tentam ao máximo fazer com que Justine se sinta bem, e salvar a festa que cada vez mais parece que vai dar errado.

A segunda parte é mais centrada em Claire, que acolhe Justine em sua casa por uns dias, após mais uma de suas crises. Nem a presença de seu sobrinho, adorado por Justine, a faz comer ou se levantar da cama.
Nesse momento todos já sabem que o planeta Melancolia já está a caminho da Terra, o que faz com que John  fique animado e Claire preocupada. O interessante nessa segunda parte é justamente ver como cada um reage a aproximação do Planeta. John, admirador da astrologia, tem certeza que o Melancolia apenas passará pela Terra, e fica ansioso pela oportunidade única de ver um evento dessa magnitude. Claire, se enche de dúvidas e de medo diante de uma possível colisão. Já Justine, mesmo sem entender muito do assunto, sabe que esse será o fim da Terra. E esse, é o único evento no filme todo que põe uma certa "alegria" no coração dela. A esperança do fim. Do fim da tristeza, do sofrimento, da vida. E a cada dia que se passa e que o Planeta se aproxima, Justine volta ao estado "normal".

Como o próprio nome deixa a entender, "Melancholia" (no original) é um filme sofrido, melancólico. Em alguns momentos pode até chegar a ser um pouco maçante pelo fato do drama dominar do início ao fim, sem dar espaço para nenhum elemento fora do gênero. O que mais chega perto de sair um pouco do drama, é o suspense em volta da colisão ou não do Planeta Melancolia com a Terra. Porém, em se tratando de Lars von Trier, não é muito difícil adivinhar o final. Mas não se enganem, é um ótimo filme.

Um ponto positivo que não pode deixar de ser citado é a fotografia. É de cair o queixo de tão linda. Cada cena é um espetáculo - e já começa na introdução, uma das mais belas dos últimos anos. Arrisco dizer, que gostei mais dos aspectos técnicos do que da história em si. Von Trier e sua equipe conseguem fazer da dor uma coisa linda, seja através da fotografia, da trilha sonora etc.

Por último, muita gente tem comparado "Melancholia" com "A Outra Terra". Achei o primeiro tecnicamente melhor e visualmente mais bonito - o orçamento explica (Melancholia custou 7 milhões, enquanto Another Earth, 200 mil), mas, em história, Another Earth me tocou mais. Ele trata, dentre outras coisas, de uma possível segunda chance, enquanto Melancholia se limita a mostrar a própria melancolia em seu estado mais puro, sem nenhuma esperança.
Mas recomendo ambos, sem sombra de dúvida.

Melancholia
Dinamarca / Suécia / França / Alemanha - 136 min.
Drama
Direção: Lars von Trier

Roteiro: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Outra Terra/The Sunset Limited - Melhores Filmes de 2011

Another Earth

★★★★☆
Ótimo

Rhoda Williams (interpretada pela linda Brit Marling) é uma estudante brilhante. Na mesma noite em que consegue uma vaga no MIT, o mundo descobre uma segunda Terra no Universo. Voltando de uma comemoração, Rhoda se distrai observando o astro azul (um ponto, na verdade) no céu, e acaba causando um acidente de trânsito em que uma mulher e seu filho morrem. Ela é presa por 4 anos e quando sai da cadeia, descobre que aquele astro azul está bem maior, e cada vez se aproximando mais da nossa Terra.
Consumida pela culpa, Rhoda vai atrás de John Burroughs (William Mapother), o único sobrevivente do acidente que ela causou. A princípio, ela vai atrás de John para pedir perdão por ter causado a morte de sua esposa e filho, mas ela não consegue. Ela começa a frequentar a casa de John que, deprimido, não sabe o que fazer da vida. Aos poucos eles acabam se envolvendo emocionalmente e Rhoda não sabe como lhe contar a verdade.
Com a aproximação da outra Terra, teorias sobre o Planeta ser uma possível réplica do nosso se fortalecem. E Rhoda e John começam a pensar na possibilidade de o acidente não ter acontecido na "Terra 2".

Apesar da bela fotografia e das atuações decentes, o maior mérito de "Another Earth" (no original) é te fazer pensar tanto no que aconteceu na tela, quanto na própria vida - todos cometemos erros e, em algum momento, imaginamos como seria se não os tivéssemos cometidos. Recomendo, mas não como um filme de ficção científica. "A Outra Terra" é muito mais um drama sobre culpa e reparação, que utiliza a ficção como forma de reflexão dos sentimentos apresentados na história - como a outra Terra simbolizando a esperança de uma segunda chance.

Interessante ver como a casa do John representa seu estado de espírito. Quando Rhoda chega a casa está um caos, parecendo em ruínas, como a vida dele. Enquanto Rhoda vai limpando e arrumando o lugar, ele vai voltando a viver. Quem matou sua família, o traz de volta a vida.

Algumas pessoas acham que poderiam ter explorado mais a viagem à Terra 2, como seria lá e tal... Acho que foi acertada a decisão de não explorar tanto o lado sci fi da história, porque se não toda a filosofia do filme ficaria em segundo plano. E é isso que faz de A Outra Terra um filme especial. Eu preferi assim.


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The Sunset Limited


★★★★★
Excelente

Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones, dois monstros do cinema, dando aula de atuação em apenas um único cenário (a sala do apartamento de Black, personagem do L. Jackson), e em 90 minutos.
A história é simples: numa noite White (Jones) decide se suicidar e Black acaba o salvando. Black leva White para sua casa, e os dois começam a debater sobre a vida, morte, religião. Enquanto o ateu White está convencido de que não há mais motivo para viver, Black - ex-presidiário que se converteu ao cristianismo - faz de tudo para mostrá-lo que isso não é verdade.
 
"The Sunset Limited" lembra um pouco dois outros filmes que eu gosto muito. O formato (com apenas um cenário) lembra "Entrevista", com Sienna Miller e Steve Buscemi. Já a história (um pastor que tenta de qualquer jeito salvar um "perdido") remete, de leve, "Entre o Céu e o Inferno", também com o Samuel L. Jackson.

É um filme feito para TV, mas que merecia ter passado no cinema, para atingir um público maior. Apesar do enredo simples, o bom roteiro e direção, e as atuações incríveis de Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones fazem de "The Sunset Limited" um filme inesquecível e que toca o espectador.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Contágio - Melhores Filmes de 2011

★★★★☆
Ótimo

O que logo chama atenção em "Contágio", é o elenco de primeira. Mas, ao mesmo tempo em que isso pode ser uma vantagem - chamando atenção da mídia e do público -, pode ser também uma maldição. Um elenco excelente não é sinônimo de bom filme, apenas cria espectativa e coloca mais pressão para que o filme realmente seja bom. E a nova produção de Steven Soderbergh consegue corresponder as espectativas.

"Contágion" (no original) é sobre uma doença viral com alto índice de fatalidade que rapidamente se espalha por todo o mundo, se transformando numa pandemia sem precedentes. Uma equipe de médicos e cientistas de várias nacionalidades se junta para tentar rastrear o paciente 0 e achar uma cura, antes que seja tarde demais.

Além do já citado elenco, que tem boas atuações, outro ponto forte de Contágio é mostrar o início da epidemia em vários pontos de vista. Temos duas famílias comuns, representadas por Mitch Emhoff (Matt Damon) - que perde a mulher (Gwyneth Paltrow) e o enteado logo no início -, Roger (John Hawkes, indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante ano passado por Inverno da Alma), um jornalista investigativo (Jude Law) e as instituições públicas e científicas. Nesse último núcleo que temos o maior número de personagens (interpretados por atores como Laurence Fishburne, Kate Winslet e Marion Cotillard). Instituições como CDC e OMS montam uma força tarefa para descobrir mais sobre o vírus, que tem uma taxa de mortalidade alarmante, ao mesmo tempo em que tentam rastrear o paciente 0. Nos bastidores dessa corrida contra o tempo, vemos a impotência crescente nos médicos, epidemiologistas, cientistas e até políticos frente a algo que eles não conseguem entender ou controlar. Impotência essa, que em níveis mais baixos da sociedade costuma evoluir para o caos; e é isso que eventualmente acontece.
Soderbergh ainda aproveita para levantar uma discussão sobre a atuação do governo nesse tipo de situação crítica e ainda a possível parceria com indústrias farmacêuticas, dando preferência a alguma em particular na fabricação das vacinas, por exemplo.

Atualmente filmes de grande orçamento parecem ter a necessidade de ter mais de 2 horas de duração, o que na maioria das vezes não é necessário, e faz com que isso se torne um ponto negativo. Já Contágio, vai contra essa "máxima". Com um bom ritmo, roteiro e edição ágeis, e uma trilha sonora que dá um clima ainda mais tenso, o filme desenrola bem a sua história contando tudo em 1h40, o que impede o filme de ser cansativo.

Apesar dos vários pontos positivos, alguns defeitos se tornam bem visíveis. Por ter muitos personagens importantes, o desenvolvimento deles acaba sendo comprometido, tornando-os por vezes superficiais. São tantos personagens em tantos núcleos, que às vezes dá impressão que faltou foco. Nisso Steven Soderbergh peca.
Mas, no final das contas, "Contágio" não decepciona e é um bom filme. Mesmo tratando de um tema não muito original, Soderbergh e sua equipe não deixaram o filme cair na mesmisse e o resultado acaba sendo bem interessante.

Contagion
EUA , 2011 - 106 min.
Drama/Suspense
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns
Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Laurence Fishburne, John Hawkes, Jude Law, Marion Cotillard

domingo, 15 de janeiro de 2012

Tudo Pelo Poder - Melhores filmes de 2011

★★★★★
Excelente

Roteiro bem amarrado, boas atuações, direção decente de George Clooney e personagens interessantes e relativamente bem desenvolvidos - a história se passa em pouco tempo e tem vários personagens). Com esses elementos, "Tudo Pelo Poder" consegue ser um dos melhores filmes do ano, mesmo tratando de um tema que a primeira vista pode fazer com que a maioria das pessoas torça o nariz.
O fillme não chega a ser inovador e nem grandioso - e nem tem intenção de ser. Afinal, um filme com tantas estrelas ter um orçamento de $12 milhões (baixo para os padrões de Hollywood) não é sinal de pretensão. Mas cumpre tudo aquilo que promete: uma boa história sobre os bastidores de uma eleição americana, mostrando que, na política, não existem santos e que lealdade é algo relativo.

Acompanhamos a trajetória de Stephen Meyers (Ryan Gosling), um gênio da área de relações públicas que, aos 30 anos, já é uma das peças fundamentais na campanha do governador Mike Morris (George Clooney) nas primárias do partido Democrata para a disputa presidencial. Idealista, Stephen admira Morris, com quem divide várias das mesmas opiniões e ideias. Mas aos poucos Stephen percebe que idealismo e boas intenções não são garantias de sucesso na política. Quando fica claro que, para ganhar as primárias e sair como candidato democrata Mike Morris vai ter que se aliar e prometer um cargo de alto escalão para um Senador (Jeffrey Wright) que ele não confia, Morris e sua equipe tem que decidir entre perder a eleição mantendo a ideologia, ou sujar as mãos por um "bem maior" (escolha não muito difícil para Pullman, adversário de Morris). Morris resiste, mas a derrota não é uma opção para Paul Zara, (seu chefe de campanha, e patrão de Stephen, interpretado por Philip Seymour Hoffman) que o pressiona para fazer o acordo com o Senador.
Tudo fica mais difícil quando, ao mesmo tempo em que Stephen começa a ser pressionado pela jornalista Ida Horowicz (Marisa Tomei, em atuação discreta) que tem informações sobre seu encontro com Tom Duffy (Paul Giamatti, sempre bem) - o responsável pela campanha de Pullman -, ele descobre um segredo envolvendo Morris e sua estagiária, Molly (Evan Rachel Wood, ótima), que pode ser um golpe mortal não apenas para a candidatura de Morris, mas para toda sua vida política.
 A partir daí o filme tem suas reviravoltas que conseguem prender ainda mais a atenção de quem está vendo.

"The Ides Of March" (no original) é um prato cheio pra quem gosta de política. Na verdade, qualquer apreciador de um bom filme (independente de ser sobre política ou não) vai gostar da 4ª produção assinada por Clooney - e a melhor, com certeza.

E realmente 2011 foi o ano de Ryan Gosling. Depois de ter feito bons filmes como "Drive" e "Crazy, Stupid, Love", ele faz o seu filme mais maduro, conseguindo se destacar e passar segurança como protagonista em um elenco com nomes como Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e George Clooney.
E, pelo papel de Stephen Meyers, Gosling foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator de Drama, assim como ator de Comédia, por "Crazy, Stupid, Love".

O que o ele tem de feio, tem de competente.
[Agora é só esperar as pedradas das mulheres]

The Ides Of March 
EUA , 2011 - 101 min.
Drama
Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Evan Rachel Wood, Paul Giamatti, Jeffrey Wright, Marisa Tomei

Guerreiro/Drive - Melhores filmes de 2011

Guerreiro

★★★★★
Excelente

"Guerreiro" conta a história da família Conlon - os irmãos Tommy e Brendan, e o pai Paddy. Tommy (Tom Hardy) é um ex-fuzileiro que volta à sua cidade e descobre que em pouco tempo vai acontecer um grande torneio de MMA. Ele pede para o pai, Paddy, treiná-lo. Brendan é um professor endividado prestes a perder a casa, e que vê apenas nas lutas a sua esperança de conseguir o dinheiro necessário.

"Warrior" (no original) não tem um elenco tão estelar como "The Fighter", mas é tão bom quanto, senão melhor. As cenas das lutas são muito bem feitas e empolgam. Nick Nolte está ótimo como Paddy, um ex-boxeador que no passado se entregou ao alcoolismo e foi um pai ausente. Hoje, recuperado, busca a redenção na forma do perdão dos filhos. Perdão que parece díficil obter de Tommy, uma muralha física e emocional, e principalmente de Brendan que não entende como o seu irmão foi capaz de se reaproximar do pai, mesmo que só visando o treinamento para o torneio.
Tom Hardy consegue colocar a carga emocional necessária para a construção de Tommy, um personagem complexo e difícil, e está perfeito no papel. Joel Edgerton não brilha tanto quanto Nolte e Hardy, mas está muito bem também. É pelo seu personagem que um dos assuntos mais importantes do filme é abordado: o preconceito que ainda ronda o Vale Tudo. Sua esposa (Jennifer Morrison) o pressiona para se afastar da luta, e ele ainda acaba sendo afastado da escola onde leciona após descobrirem o seu envolvimento no esporte.

O torneio começa e os dois irmãos se classificam para a final. Tommy é do tipo rolo compressor, acaba com todos que aparecem pela frente, já Brendan é daqueles que apanham bastante, mas a sua força de vontade é maior que a técnica e as dores, e ele sempre acaba vencendo. Como não podia deixar de ser, a luta é emocionante. As mágoas dos irmãos não são apenas direcionadas ao pai, mas um ao outro também. E é dentro do Octógono que todo o rancor que os irmãos guardaram durante os anos explode.

Filmes sobre artes marciais não são novidade. O MMA é um esporte em ascensão, inclusive no Brasil, mas"Guerreiro" se destaca por tratar do tema colocando a família em primeiro plano e, por isso, o filme tem sucesso não apenas como um filme de luta, mas no aspecto dramático.

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Drive

★★★★★
Excelente


Muitos que viram "Drive" pensavam que veriam um filme de ação e acabaram se decepcionando com o ritmo lento que é imposto na primera metade do filme. Realmente o trailer pode passar uma idéia errada, mas esse ritmo um pouco arrastado é fundamental para a apresentação e construção dos personagens - ainda mais o Motorista, que é um personagem um tanto misterioso, de pouquíssimas palavras.

E é em torno desse solitário personagem interpretado por Ryan Gosling que o filme gira. O protagonista anônimo (identificado apenas como "driver") é um motorista dublê de filmes que faz uma grana extra usando suas habilidades no volante para participar de assaltos. Ele conhece Irene (Carey Mulligan) e seu filho com quem logo se afeiçoa. Recém-saído da cadeia, o marido de Irene, é forçado a cometer um roubo para pagar um dívida. O Motorista se oferece para ajudar, mas as coisas acabam dando errado e ele tem que se virar para continuar vivo e proteger Irene e o filho.

Além de Ryan Gosling, Carey Mullingan, Oscar Isaac e Albert Brooks o elenco principal ainda é sustentado por três estrelas de algumas das principais séries atuais de TV: Bryan Cranston (Breaking Bad), Ron Perlman (Sons Of Anarchy) e Christina Hendricks (Mad Men).

Drive é um ótimo drama com toques de ação, muito bem dirigido, atuado e produzido. A bela fotografia e a trilha sonora meio anos 80 ajudam a construir um clima ainda mais interessante que consegue envolver o espectador e levá-lo para dentro da história.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Melhores filmes de 2011 - Comédia

Amor À Toda Prova (Crazy, Stupid, Love) 



★★★★☆
Ótimo

Eu não sou fã de comédias românticas, mas li tantos comentários positivos que decidi dar uma chance para "Crazy, Stupid, Love". E se o filme fosse ruim, pelo menos teria a Emma Stone para compensar. E realmente "Amor A Toda Prova" funciona muito bem. O ótimo elenco tem nomes como Steve Carell, Julianne Moore, Ryan Gosling, e Marisa Tomei e está afinadíssimo.

Porém, o filme foi muito bem até se entregar ao clichê da parte dramática, que parece ser obrigatório a toda comédia envolvendo casais. Eu achei que foi algo "anti-climático", por assim dizer.
Se tivessem se importado menos com o drama e apostado apenas na comédia despretensiosa, seria ainda melhor.

Mas, mesmo com a derrapada, gostei do filme. Vale pelas partes engraçadas.

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A Mentira (Easy A)

★★★★☆
Ótimo

Lançado em setembro de 2010 nos EUA, "Easy A" chegou no Brasil (com o nome de "A Mentira) e em vários outros países em 2011, por isso que acabou entrando na lista - e porque esse ano foi meio fraco no gênero. Essa ótima comédia estrelada por Emma Stone nem passou pelos cinemas aqui, indo direto para as locadoras.

A história gira em torno de Olive Penderghast que, para escapar de um acampamento de fim de semana que não queria ir com a sua amiga, inventa que terá um encontro com um cara mais velho. Na semana seguinte, ela reecontra a amiga que a pergunta sobre o encontro, querendo saber os detalhes. Pressionada, Olive acaba mentindo e falando que perdeu a virgindade. O que era pra ser uma mentira ingênua, para terminar uma conversa, acaba tomando proporções gigantescas e suja a reputação da outrora aluna exemplar. Olive decide "assumir" essa reputação, seja para ajudar seu amigo gay ou para benefício próprio.

A direção de Will Gluck e o roteiro de Bert V. Royal criam situações hilárias. Os diálogos são ágeis e inspirados e as atuações são boas, principalmente de Emma Stone e de Patricia Clarkson, que interpreta a mãe meio desregulada de Olive.

É um filme despretensioso e bem divertido.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Melhores filmes de 2011

Durante os próximos dias farei um apanhado dos melhores filmes de 2011, fazendo críticas dos mais importantes e comentários de outros.
Eu não vou falar de TODOS os filmes que mais gostei, nem vou fazer por ordem de preferência, mas será bom relembrar algumas das produções importantes do ano passado.
Uma lista de alguns dos filmes que eu gostei e que podem ser comentados:

Melhores filmes de Drama: Melancolia/Tudo Pelo Poder/Drive/Guerreiro/The Sunset Limited
Melhores filmes de Ação: Sucker Punch/Drive Angry
Melhores filmes de Aventura: 13 Assassinos/Super 8
Melhores filmes de HQ: Thor/Capitão América
Melhores filmes de Comédia: Crazy, Stupid, Love/Easy A
Melhores filmes de Terror: Insidious/Premonição 5/Pânico 4
Melhores filmes de Suspense: I Saw The Devil/The Dead
Melhor filme Independente: Another Earth
Melhores Blockbusters: Planeta Dos Macacos: A Origem/Cowboys & Aliens