segunda-feira, 24 de junho de 2013

Segredos de Sangue

★★★★☆
Ótimo


Texto com pequenos spoilers sobre a trama do filme.

O cinema coreano tem crescido muito nos últimos anos, inclusive exportando seus diretores para Hollywood. Curiosamente, três deles tiveram filmes programados para 2013. O primeiro da leva foi Kim Ji-woon (conhecido pelo excelente "Eu Vi O Diabo" e pelo terror "Medo") que dirigiu o novo filme de Arnold Schwarzenegger, "O Último Desafio". Bong Joon-ho ("Memórias de Um Assassino" e "O Hospedeiro") roteiriza e dirige "Snowpiecer", uma ficção científica com um elenco estelar, com direito ao Vingador Chris Evans e as ganhadoras do Oscar Tilda Swinton e Octavia Spencer, mas ainda sem data para estrear. E dia 14 chegou aos cinemas brasileiros o suspense "Segredos de Sangue", 10º longa do elogiado diretor Park Chan-Wook, mais conhecido pela Trilogia da Vingança (que tem em "Oldboy" seu ápice), e por seu último filme, o vampiresco "Sede de Sangue".

"Segredos de Sangue" conta a história da família Stoker (nome original do filme). Depois que o pai da introvertida India (Mia Wasikowska) morre, o seu tio Charles (Matthew Goode), que ela nunca soube que existia, vai morar com ela e sua mãe, Evelyn (Nicole Kidman). Charmoso e simpático, ele logo ganha a confiança de sua mãe, mas India começa a suspeitar que ele não é tão perfeito assim. A presença de Charlie irá fazer com que India descubra detalhes sobre o passado sombrio da família Stoker e sobre ela mesma.

Diretor que costuma realizar filmes com personagens excêntricos e bem desenvolvidos, Park Chan-Wook dessa vez aposta em tipos mais normais, ao menos à primeira vista, e concentra seu apreço pelo diferente no visual do filme, que é o que realmente chama a atenção. São planos imprevisíveis, com enquadramentos curiosos que valorizam o filme e ajudam a contar a história, já que a narrativa, dessa vez não é de tão alto nível.


A princípio remetendo ao Hitchcockiano "A Sombra de Uma Dúvida" (até no nome do tio), "Segredos de Sangue" se revela o oposto, já que, ao contrário do suspense de 1943, a sobrinha e o tio acabam tendo algo em comum. Pistas de que há algo de diferente em India vão sendo dadas desde o início do filme, mas só descobrimos (junto com ela) com o desenvolvimento de sua relação com Charles. E o auto conhecimento é tema forte no filme. India está em transição da adolescência para a fase adulta — o longa começa no dia de seu 18º aniversário. Ela sente emoções, ímpetos, que não sabe explicar. Seu tio acaba funcionando como um guia.
Em determinado momento, vemos que o falecido pai de India sabia muito bem o seu "segredo", porém conseguia administrá-lo, funcionando até como um tipo de super ego. O tio Charles tem o objetivo de liberar os impulsos da jovem, se transformando no Id. O resultado desde embate será muito interessante, ainda que não chegue ao nível dos clímax de outros filmes do diretor.

Porém, mesmo que o desenvolvimento da história esteja um pouco abaixo do padrão Park Chan-Wook, o diretor mostra uma exímia sensibilidade na hora de filmar e decupar o filme. Além dos já citados planos originais, ele utiliza, por exemplo, vários belos raccords* tanto para dar noção de elipses (a imagem de India caminhando no caminho que leva a sua casa sobrepõe a dela caminhando sozinha na estrada), quanto de flashbacks (funde os cabelos de Nicole Kidman sendo penteados a um campo onde India e seu pai caçavam).

*Raccord: ligação entre duas cenas por efeito visual ou sonoro, para reforçar ideia de continuidade.


A direção de arte acerta em cheio no clima do filme, utilizando cores sempre harmoniosas, como lilás, azul e laranja, mas sempre com atenção especial no verde e no vermelho em cenas chave. A iluminação e os filtros da fotografia de Chung-hoon Chung ajudam na padronização das cores do filme, como na sequência externa em que India tem um encontro com Whip. Não bastasse o ambiente com muita grama e árvores, percebe-se um cuidado especial no filtro utilizado nas câmeras, inteligentemente dando um tom ainda mais esverdeado à cena, já que é quando a natureza de India é revelada (ou pelo menos aparece mais). Se o verde representa a natureza (bastante explorada no filme), o vermelho forte, quase vinho, o sangue — no sentido de família e da violência que existe dentro da personagem principal.

Na mesma sequência citada de India com Whip no parque, vale citar o belo efeito que a câmera de Chung cria ao filmar India num plano médio girando no roda roda, dando inclusive um certo ar sobrenatural à jovem, que parece estar flutuando. Toda a sequência foi muito bem dirigida e nos dá a noção de uma predadora seduzindo sua vítima. Trabalho notável de Mia Wasikowska.
O diferencial de India é muito bem explorado especialmente em duas outros momentos também. Na sequência dela na mesa da cozinha, escutando o barulho da casca do ovo se quebrando, e a da aula de pintura, em que, enquanto todos pintam o vaso usado como modelo, ela pinta o padrão do lado de dentro do vaso ("Meus ouvidos ouvem o que outros não podem ouvir. Coisas pequenas e longes que pessoas não podem ver normalmente são visíveis para mim.")


Por tudo isso, "Segredos de Sangue" vale mais como um exercício visual do que como narrativo, já que peca um pouco no desenvolvimento da trama, e fica a impressão de que o roteiro de Wentworth Miller (ele mesmo, o Michael Scofield de "Prison Break") não teve o seu potencial máximo aproveitado. Mesmo assim Park Chan-Wook não decepciona em sua primeira empreitada no cinema americano, compensando a fragilidade da narrativa na forma como ele utiliza recursos visuais e metafóricos para enriquecer o estudo de seu personagem principal, India — a aranha, mais um exemplo, simbolizando o despertar de sua sexualidade.

Pelos muitos simbolismos (muitos nem citados nessa crítica), é um filme que vale ser visto mais de uma vez, pois certos detalhes só serão captados e completamente compreendidos depois de uma revisita ao filme.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Novidade no blog: Notas.

Já faz um tempo que eu pensava em implementar um sistema de avaliação para as críticas/comentários do blog. Acho que na maioria das vezes, o texto fala por si e, por ele, dá para perceber se quem escreve gostou ou não do filme, e se vale a pena ou não ver o filme. Por isso eu só colocava notas na seção [Curtas] por serem textos menores em que, por não falar muito sobre o filme, eu sentia que tinha necessidade de completar os comentários com uma avaliação. Porém, admito que grande parte das minhas críticas são escritas mais para quem já viu os filmes, pelo fato de eu gostar de discutir detalhes da trama ou da linguagem cinematográfica do filme que pode vir a ser spoiler.
Além disso, eu sei que nota é algo que as pessoas valorizam numa crítica (até muitas vezes pela preguiça de lê-la).

Dito isso, apesar de eu me sentir mais a vontade com um sistema indo de 0 a 10, decidi por algo mais habitual no campo da crítica cinematográfica: as famosas 5 estrelas. Como eu não costumo escrever críticas de filmes que eu não gosto, salvo algumas exceções, preferi variar mais as notas positivas do que as negativas.

Portanto, assim será:

★☆☆☆☆ = Ruim

★★☆☆☆ = Razoável

★★★☆☆ = Bom

★★★★☆ = Ótimo

★★★★★ = Excelente

Já atualizei todos os posts, e as notas já estão no ar.
Aproveitem para ler os textos novos e os antigos também. =)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Conscientização Coletiva e o Jornalismo de R$ 0,20

Sabe o que acho interessante nessa onda de protestos em São Paulo (e em várias outras capitais)? Jornais de grandes emissoras que muitas vezes passam vídeos fofos de animais ou bebês que fazem sucesso na internet e ignoram vídeos realmente importantes como os gravados ontem em que policiais atacam os manifestantes, que gritavam "Sem Violência" e jornalistas, que estava fazendo seu trabalho. Jornais que enchem a boca para falar de imparcialidade, quando só quem não quer ver não percebe que eles defendem X partido/ideologia político escondendo ou "suavizando" suas ações, enquanto colocam a culpa no lado mais fraco (que, como vemos, tem se fortalecido).

Enquanto os que têm acesso a internet e se interessam um pouco em saber o que acontece, sabem o que realmente está acontecendo, grande parte da população aceita qualquer coisa que a grande imprensa diz. Essas pessoas não sabem que policiais atiraram em manifestantes que não eram vândalos, em jornalistas e em pessoas em seus apartamentos apenas por estarem filmando.
Mas isso é um processo lento. Acredito (ou, pelo menos, quero acreditar) que nossa passividade vai, aos poucos, ser substituída por um desejo de mudança. Não que todos vão sair para a rua para protestar. Só em se interessar em votar em quem realmente está disposto a defender o povo, e não em quem tem uma cara bonita, já será uma grande vitória.

Os protestos são apenas o início de uma conscientização coletiva. Quando não violentos, são altamente válidos, até porque eles têm exposto a verdadeira face da PM (que responde ao Estado). As atuais gestões têm covardemente reprimido quem protesta nas ruas, mas elas não podem fazer nada quando são vencidas nas urnas.

EDIT 16/06:
Observando e pensando no que tem acontecido, acho que é até provável que uma mudança no governo (ou na forma de governar) aconteça, mas não por causa dos protestos em si, das ações dos protestantes, mas por causa da incrível incompetência da polícia (que atira até em repórteres, inclusive internacionais, e em áreas com mães e crianças aqui no Rio de Janeiro) que está ficando MUITO feio.
O governo e a prefeitura fazendo de tudo para que a ação da sua polícia não seja vista — chegando ao ponto de desligar as câmeras da CET Rio — está pegando mal demais.

Sim, os protestantes causaram isso, mas indiretamente.
Eles estão servindo apenas (não no sentido de "só", pois isso é uma grande coisa) como agentes catalisadores que mostram a verdadeira face daqueles que supostamente deveriam nos proteger.
A culpa principal é do próprio despreparo da polícia e da censura do Estado, que não sabe lidar com a situação e está atirando no próprio pé.


Quantos aos protestantes, está ficando bem claro que faltam duas coisas fundamentais: foco e liderança. Já é sabido, pelo menos por nós, que os protestos já não são mais apenas pelos preços das passagens. O problema é que os protestos englobam muita coisa, como corrupção, gastos na Copa, melhora na educação e na Saúde, e acaba que ninguém se entende, e a mídia continua noticiando que são por causa das passagens — felizmente algo que está começando a mudar.
Até o movimento ter uma real direção, cada um protestará por uma coisa, ninguém se entenderá e todos vão apanhar. Por outro lado, o quanto mais apanham, o movimento se fortalece. 
Não me entendam mal. Admiro e fico feliz de ver o povo finalmente se levantando, mas o movimento precisa evoluir.

_O site http://nomovimento.com.br/ está organizando/compilando as informações sobre os manifestos ao redor do Brasil.

_Tumblr com relatos de pessoas (muitas delas foram feridas) que estiveram no protesto do dia 13/06/2013 em São Paulo: http://feridosnoprotestosp.tumblr.com/

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Homem de Ferro 3

★★☆☆☆
Razoável

Em 2007, a Marvel Studios estreou no universo cinematográfico para revolucionar a maneira como é feito os filmes de super heróis. Começando com um personagem que até então tinha papel secundário nas HQs da Marvel, a produtora lançou "Homem de Ferro", que até hoje é uma unanimidade dentre os fãs de quadrinhos e cinéfilos — um grande filme para ninguém botar defeito. Assim, a produtora mostrou a que veio e, a partir daí, lançou "O Incrível Hulk", "Homem de Ferro 2", "Thor" e "Capitão América", todos passados no mesmo universo e interligados entre si, até culminar no impressionante "Os Vingadores". Esse foi o final da Fase 1 da Marvel Studios.

Por isso, "Homem de Ferro 3" veio com duas grandes responsabilidades: fechar por cima a trilogia de Tony Stark, personagem mais querido da Marvel nos cinemas, e começar a Fase 2 com o pé direito. Infelizmente, o filme falha nos dois quesitos.
É o primeiro filme sem Jon Favreau na direção, que é assumida por Shane Black, criador da série "Máquina Mortífera" e diretor do ótimo "Beijos e Tiros" (protagonizado também por Robert Downey Jr.). Black, que também assina o roteiro (junto com Drew Pearce), faz um filme bobo que é mais comédia do que qualquer outra coisa — esqueça o tom sombrio tão enfatizado nos trailers.

Já buscando se conectar com o primeiro filme, uma das primeiras cenas de "Homem de Ferro 3" mostra o primeiro encontro de Stark com Yinsen, que o ajudou a construir a Mark 1 quando ele foi capturado no Afeganistão. Nesse mesmo evento onde os dois se encontram, Stark também conhece Aldrich Killian, que queria apresentá-lo um de seus projetos, mas acaba sendo ignorado já que o playboy estava ocupado demais com a cientista Maya Hanssen — e não por motivos profissionais.
No presente, um fragilizado Tony Stark tenta voltar a ter uma vida normal depois dos eventos de "Os Vingadores", afinal, conhecer semideuses, monstros verdes e combater forças extra terrestres vindas de um buraco de minhoca, mexe com qualquer um. E, não conseguindo mais dormir e tendo ataques de ansiedade, Stark passa o tempo construindo dezenas de armaduras e aprimorando suas tecnologias.
Enquanto isso, o mundo é assombrado por um terrorista chamado Mandarim, que num dos seus ataques acaba pondo em risco a vida de uma pessoa do círculo de Tony, que leva para o lado pessoal. Aí é onde a aventura começa e a sua vida pode terminar.


Apesar dos muitos defeitos, o filme tem um tema muito interessante: como os acontecimentos do passado moldam uma pessoa. Killian, enganado, e até pode-se dizer humilhado, por Stark no primeiro encontro dos dois, vira o jogo e se torna um brilhante e ambicioso cientista. Já Stark não consegue se livrar de seus medos e se esconde no seu casulo, a armadura. Ele já não consegue se sentir seguro fora dela (s). É impossível não lembrar da frase "A armadura e eu somos um" dita por ele em "Homem de Ferro 2". Só que na ocasião a frase tinha um sentido mais político e científico (de um inventor querendo defender sua invenção enquanto o governo queria confiscá-la). Agora, o sentido é literal, já que o que Stark busca é praticamente um estado de simbiose com a armadura.

O problema é que a resolução desse conflito de Stark não é só decepcionante como chega a trair a mitologia do herói. Aliás, muitas das resoluções das subtramas do filme são um tanto abaixo do esperado (como a do Mandarim, por exemplo, que com certeza deixou muita gente com raiva) e ainda deixam pontas soltas. O final escolhido por Black parece ter preocupado até Joss Whedon, que quando viu o filme comentou "Agora o que eu devo fazer? O que vou fazer em O Vingadores 2?". E realmente é uma "pepino" que passa para as mãos de Whedon, já que percebe-se que Shane Black não fez "Homem de Ferro 3" com uma ideia de continuidade, e sim de conclusão, o que é um erro já que o personagem é parte de um universo muito maior.


Mas se há uma coisa que Shane Black sabe fazer, e faz bem, é filme de ação com elementos cômicos. Você pode até não concordar com as escolhas narrativas que o diretor faz, mas a verdade é que o filme diverte. Não faltam cenas de ação com ótimos efeitos visuais — mesmo que a maioria seja sem as armaduras, ou pelo menos do Tony fora delas — e piadas. A escolha de tirar Tony Stark da sua zona de conforto e fazê-lo ser um herói apenas de carne e osso foi muito corajosa. O problema é que isso transformou o filme em algo muito parecido com a obra pela qual o diretor é mais conhecido. Sim, em determinados momentos, "Homem de Ferro 3" parece ser mais um "Máquina Mortífera" com armaduras e soldados luminosos do que um filme da franquia da Marvel. Há também elementos de filmes de espionagem, como quando Stark invade a mansão de Mandarim. A trilha sonora de Brian Tyler não deixa mentir, já que sua composição nessa sequência parece saída de um filme do James Bond.

Se o primeiro "Homem de Ferro" tentava ser um filme calcado no mundo real, o terceiro filme do herói toma muitas licenças poéticas em relação a HQ e a realidade, se tornando o filme mais fantasioso da saga.
Entre erros e acertos, "Homem de Ferro 3" fecha a trilogia de Tony Stark de forma decepcionante, deixando para "Thor: O Mundo Sombrio" a responsabilidade de ser o primeiro filme relevante da nova fase da Marvel.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

[Curtas] Deus da Carnificina / Coriolano

Deus da Carnificina
★★★★☆
Ótimo
Eu gosto muito de filmes que se passam em apenas um ambiente pois, mesmo superficialmente simples, na prática são bem mais complexos. O roteiro, a direção, a fotografia, a direção de arte... Tudo tem que ser 10 vezes mais preciso porque não há distração. O filme é todo baseado na força dos diálogos, nos personagens e no ambiente. E em filmes com esse estilo, não há como mascarar atuações. O ator tem que dar tudo de si. Fora que o recurso da Mise-en-scène ganha ainda maior importância. A movimentação dos atores tem um papel fundamental no contar da história.

E "Carnage" é um bom exemplo de como a boa execução desses fundamentos e um elenco de peso (dos 4, 3 são ganhadores de Oscar) fazem a diferença.
As atuações são primorosas, com destaque para a sempre excelente Kate Winslet e Christoph Waltz. John C. Reilly não brilha tanto, mas também está muito bem. Já a Jodie Foster tem momentos que parece estar meio "over", mas no geral também não decepciona.

Roman Polansnki conseguiu adaptar muito bem a peça para o cinema, fazendo um filme bem divertido. A maneira como a cordialidade dos pais vai sendo substituída por um certo antagonismo (começando com algumas simples alfinetadas), criando o caos, é sensacional. Mesmo que em alguns momentos os conflitos soem meio forçados, o resultado do filme é ótimo.
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Coriolano
★★☆☆☆
Razoável

Uma boa ideia, mas que não foi executada da melhor maneira.
É interessante ver o Império Romano no século XXI, mas o texto literalmente tirado da obra de Shakespeare acaba soando bem artificial no contexto do filme e nos distancia da obra, não apenas por muitas vezes ser de difícil entendimento, mas por citar coisas que não se aplicam mais ao nosso tempo — como espadas, por exemplo, que são muitas vezes citadas, mesmo não fazendo parte do nosso mundo. Uma adaptação mais moderna do texto, sem mudar a essência da história, ajudaria o filme.

Outra coisa que poderia ter sido melhor trabalhado é o lado "militar". Os exércitos de Roma e Volscos parecem apenas pelotões, nada semelhante a grandeza do exército de um Império. Fica até difícil acreditar como o exército de Aufidius, que mais parece um grupo de guerrilheiros, poderia ameçar um Império do tamanho do Romano.

É um filme interessante, mas que poderia ter sido melhor.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Substituto

★★★★★
Excelente


"Detachment" (no original) é o 6º filme de Tony Kaye, diretor mais conhecido pelo forte "A Outra História Americana" — que rendeu Edwart Norton uma indicação ao Oscar pelo seu papel de um Neo Nazista.
Em seu novo filme, Kaye aborda não só o problema na educação atual, mas expande a visão procurando a fonte desse problema, que tem piorado nas gerações atuais. Vemos alunos cheios de raiva, pais irresponsáveis e incompreensíveis e professores estressados, que muitas vezes levam seus problemas pessoais para a escola, comprometendo suas funções e relacionamentos com os alunos. Falta compreensão e a única coisa que todos compartilham, é o vazio que sentem, por mais contraditório que soe.

Até Henry Barthes (Adrien Brody, numa atuação arrebatadora), que é uma boa pessoa e professor inspirador, carrega seus demônios do passado que o impedem de se relacionar com pessoas e amá-las/ser amado — o nome original do filme, que quer dizer desapego ou distanciamento, é exatamente sobre isso. Quando o perguntam o porquê de ter escolhido essa profissão, ele foge da questão, mas durante o filme fica claro que esse seu problema é o verdadeiro motivo que o leva a ser um professor substituto (não querer ficar muito tempo num lugar e se apegar aos alunos) e ter entregado Erica, uma adolescente que se prostitua e foi acolhida por ele, ao Serviço Social — ele só se "livra" dela depois dos dois terem criado um laço muito forte.

Todos os personagens tem dificuldades em sua vida pessoal que comprometem seus deveres. Seja professores que não conseguem mais dar conta do ensino, pais que negligenciam os filhos (a sequência da reunião dos pais mostra bem isso) ou alunos com problemas de auto-estima que não conseguem ter uma vida normal (dentro e fora da escola). O próprio Henry consegue conquistar e inspirar os alunos, até os mais problemáticos, mas uma vez que ele vai embora, ninguém pode assegurar que eles continuem no caminho certo. Se ele não tivesse seus conflitos e conseguisse assumir um compromisso com pessoas, provavelmente ele faria uma maior diferença na vida desses jovens que precisam de um modelo a seguir.


A fotografia do filme, feita pelo próprio Tony Kaye, assume um ar documental nas cenas da escola, se afastando um pouco dos personagens — talvez para reforçar a distância emocional. Já fora dela, primeiros e primeiríssimos planos são muito utilizados, procurando extrair o máximo da emoção dos personagens.
A montagem nervosa retrata perfeitamente o caos, principalmente na vida de Henry (vemos muitas cenas de seu passado e presente em certos momentos). O roteiro do estreante Carl Lund é muito bom, explorando a vida dos personagens e fazendo questionamentos oportunos — e ainda é potencializado pela direção de Kaye que o transforma num belo e poderoso filme.

"O Substituto" é interessante por não ser uma simples história de um professor que chega na escola e muda a vida do lugar e dos alunos. Aqui não há professores heróis, apenas seres humanos danificados. O caos está em todo lugar, inclusive dentro de cada personagem. E reconhecê-lo, entender sua origem, é vital para combatê-lo e encontrar a distante e já esquecida paz.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Terapia de Risco


★★★★☆
Ótimo

Se há um adjetivo que poderia descrever Steven Soderbergh como diretor, definitivamente seria: versátil. Sua filmografia variada vai desde filmes extremamentes pipocas, como "Onze Homens e Um Segredo", a cults como "Che", passando por longas de ficção científica ("Solaris") e ação ("À Toda Prova").
Em seu novo e provavelmente último filme, "Side Effects" (no original), ele faz um suspense que mistura o universo da indústria farmacêutica — já abordado, dentre outros temas, dois anos atrás, em "Contágio" — com elementos que remetem até a obras de Hitchcock e seus jogos mentais.

A trama do filme conta a história de Emily Taylor (Rooney Mara, da versão americana de "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres"), uma mulher que sofre com ataques de ansiedade e depressão. Mesmo com a volta do seu marido (Channing Tatum) para casa, depois de passar 4 anos preso por um negócio ilícito na Bolsa de Valores, as crises não melhoram e a levam a uma tentativa de suicídio. No hospital, ela conhece o psiquiatra Jonathan Barks (Jude Law), com quem começa a se tratar. Ele prescreve um novo remédio experimental que a faz melhorar, porém, causa alguns efeitos colaterais inesperados que mudarão a vida de todos.

O roteiro de Scott Z. Burns faz "Terapia de Risco" parecer dois filmes em um. A princípio um filme de investigação que trata de temas sérios como depressão e a responsabilidade de médicos que são pagos por laboratórios para testar novos medicamentos em seus pacientes (com a permissão deles, é claro), o filme toma uma guinada inesperada que o transforma num grande suspense psicológico.
Dentro do que foi pretendido o filme funciona muito bem (apesar de forçar a barra em alguns momentos), pois consegue pegar o espectador de surpresa. Mas talvez poderia ser um filme ainda mais interessante se Soderbergh fosse mais a fundo nas questões mais sérias que começou a abordar, pois elas só funcionam como uma escada para a verdadeira trama. Além da depressão, como ele tinha começado a tratar do tema da indústria farmacêutica há dois anos, eu esperava que em "Terapia de Risco" ele fosse mais a fundo, "investigando" esse universo pouco conhecido do público, como o filme dá a entender. Mas ele pretere esses dois temas para puxar o tapete do espectador em nome de um thriller que, dependendo do ponto de vista, pode ser considerado inteligente e intrigante, ou bobo e ilusório.


Porém, mesmo com minhas ressalvas, admito que gostei do filme. Dentre esses bons e maus adjetivos que citei, eu usaria intrigante e ilusório como a minha definição do longa. Minhas reservas quanto à obra são mais por gosto pessoal — e até expectativa — do que por questões narrativas ou técnicas. A fotografia, assumida mais uma vez pelo próprio Soderbergh (sob o pseudônimo de Peter Andrews), é excelente e trás detalhes muitos interessantes. Um deles é na primeira consulta de Emily com Jonathan. No início da sequência a câmera enquadra Emily de cima para baixo (posição em que o personagem/objeto filmado diminui), mas à medida que ela vai falando sobre como conheceu Martin, a câmera vai abaixando até enquadrá-la de baixo para cima (fazendo-a crescer), sinalizando como ele a fazia bem, inclusive para sua auto-estima.
Seja por meio da iluminação ou da direção de arte, a paleta de cores frias e foscas, como um amarelo-pastel muito utilizado nos vários ambientes escuros, dominam o filme em sua maioria, enfatizando ainda mais o universo sem cores e o clima depressivo do filme.

"Terapia de Risco" é muito bem dirigido e tem ótimas atuações. A dupla de protagonistas — Jude Law e Rooney Mara — levam muito o filme. Law está muito bem como o psiquiatra numa posição difícil que precisa provar sua inocência. E Mara é perfeita em todas as nuances que seu personagem pede. Já Catherine Zeta-Jones, que interpreta a antiga psiquiatra de Emily, fica abaixo do resto do elenco, não fugindo da caricatura de uma psiquiatra.

Steven Soderbergh vem prometendo se aposentar como diretor desde 2011, mas esse é o seu segundo filme de lá para cá. Se "Terapia de Risco" realmente for o seu adeus ao Cinema, ele o faz com um filme se não perfeito, com qualidade inquestionável. O longa tem seus defeitos, não é a sua melhor obra, mas gostando ou não do rumo tomado, funciona muito bem como suspense, e consegue surpreender.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Morte do Demônio

★★★☆☆
Bom

Texto com pequenos spoilers.

Remake de um dos filmes de terror mais celebrados do cinema, "Evil Dead" (no original) estreou sobre forte alarde, com uma pré-estreia que causou muitos comentários nas redes sociais, inclusive de pessoas que não aguentaram ver o filme até o final — aquele blá blá blá de sempre, quando o assunto é filmes de terror atuais.

Mas essa nova versão nem de longe tem o mesmo "charme" do original. Por charme eu quero dizer o fator trash, meio amador, que um orçamento de apenas $350.000 proporciona a um filme com muitos efeitos especiais. O novo "A Morte do Demônio" saiu do papel já com status de grande lançamento, e foi distribuído por um grande estúdio (Sony), algo que Sam Raimi sequer poderia sonhar quando fez o original. Para se ter uma ideia, o orçamento de "A Morte do Demônio" ($17.000.000) foi maior que outros filmes recentes do gênero como Mama, que usa muitos efeitos digitais e tem nomes mais chamativos no elenco, como Jessica Chastain.

Com a responsabilidade de ser um grande lançamento, vem a pretensão de ser um grande filme. E essa pretensão, que pode ser vista logo na frase que estampa o cartaz do filme, que atrapalha o resultado final. Sam Raimi, que agora aparece como produtor (assim como Bruce Campbell, o eterno Ash, que faz uma participação minúscula depois dos créditos), passou a responsabilidade de "reciclar" seu filme ao novato Fede Alvarez, um diretor uruguaio que até então só tinha feito curtas — o mais conhecido, "Ataque de Pânico" pode ser visto aqui. Ele não é só responsável pela direção, mas também pelo roteiro, que é também escrito pelas mãos de Rodo Sayagues e revisado por Diablo Cody.
Na nova trama, Mia está se recuperando de uma overdose de drogas e vai com seu irmão e seus amigos passar uns dias na cabana da família. No porão do lugar eles encontram o livro dos mortos, que desperta forças demoníacas que possuem os vivos.


Logo no início do longa já percebemos que será uma produção mais séria que o esperado. A trama carregada por problemas familiares e com drogas, nada lembra o tom escrachado e despretensioso do original, e de filmes mais recentes como "Arreste-me Para O Inferno" (do próprio Raimi) e "O Segredo da Cabana". Além disso, nota-se uma mudança de objetivo. Enquanto a trilogia de Raimi tinha como objetivo divertir os espectadores, o novo filme de Alvarez quer chocá-los. A violência/gore que antes fazia parte da experiência do filme, agora É a experiência. Talvez esse seja o principal pecado de "A Morte do Demônio". Há ainda as soluções fáceis de roteiro, como a ação que dá o ponta pé inicial na trama principal — uma pessoa supostamente inteligente que resolve ler em voz alta trechos de um livro feito com carne humana e escrito com sangue —, mas os fãs de filmes de terror (e eu sou um deles), que já estão acostumados com tamanhas asneiras, provavelmente não vão ligar muito para isso.

O lado técnico do filme chama a atenção com cenas interessante e sangrentas que são muito bem executadas. E o CGI, tão corriqueiro nos filmes atuais, só é usado quando realmente preciso. Fede Alvarez quis manter as raízes de Raimi e, com sua equipe, faz um bom trabalho com maquiagem e efeitos práticos — inclusive na cena em que Mia corta sua língua, diziam para Alvarez que seria melhor o uso de efeito digital, mas ele insistiu em fazer do jeito "mais difícil". E o resultado é bem convincente.
Mas não só a equipe de efeitos especiais merece menção. A trilha sonora de Roque Baños é excelente e prepara uma atmosfera tensa, já não bastasse o que acontece na tela.

O elenco jovem é na sua maioria fraco e decepciona. Só se salvam a bela Jane Levy (que começou a aparecer meio como uma Emma Stone genérica, na série Suburgatory), e Jessica Lucas (Cloverfield). Shiloh Fernandez, que faz no filme mais ou menos o papel que seria de Ash, só não é mais inexpressivo e sem carisma que Elizabeth Blackmore, sua namorada no filme. Lou Taylor Pucci fica no meio do caminho. Não tem grande atuação, mas também não compromete.


Apesar de ter um clima totalmente diferente, "A Morte do Demônio" também usa de referências ao original para se conectar com os fãs do clássico. O Necronomicon Ex Mortis foi atualizado para uma versão bem mais chamativa visualmente. Aliás, a fim narrativos, a semelhança entre os dois filmes termina aí. São filmes completamente diferentes. E não há só referências ao primeiro Evil Dead, mas também ao segundo, que recebeu o nome "Uma Noite Alucinante" aqui. Uma delas é uma cena durante o eletrizante clímax, que acontece sob uma chuva de sangue — se o filme já é uma, nesse momento ela se torna literal. Na batalha entre o último sobrevivente e o Demônio, ele fala "I'll feast on your soul!" e recebe a resposta "Feast On This, Motherfucker". Essa cena claramente lembra esse momento do segundo filme.

E construindo uma nova mitologia enquanto faz referências ao original, o "A Morte do Demônio" de Fede Alvarez, mesmo com seus defeitos, se faz notável dentre um gênero que carece de filmes relevantes. Não, não é "O filme mais apavorante que você verá", como é prometido, mas é um bom filme que vai agradar quem aprecia o gênero.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Paraty - Pousadas e Gastos.

Nós aqui em casa viajávamos de vez em quando na década de 90 — quando eu e meu irmão éramos menores. Mas, salvo alguns retiros da igreja em sítios, desde os anos 2000 não viajamos mais, por eventuais problemas financeiros e, principalmente, por termos nos acomodado. Sempre pensávamos em ir a algum lugar, mas só ficava na intenção. Até que em 2010 decidimos ir à Paraty. Não lembro o porquê de escolhermos esse lugar, mas contrariando nosso histórico de esperarmos as coisas acontecerem por si mesmas, tomamos todas as providências e fomos para um lugar que nunca tínhamos ido.

Já voltamos lá mais duas vezes e a cidade se tornou algo como nosso "refúgio", o lugar preferido. Sempre que aparece um feriado longo, ou o meu irmão tira férias, pensamos em ir para Paraty. Eu até falo para a gente ir em outros lugares, mas a decisão não é só minha. Se antes ficamos acomodados em ficar em casa, parece que agora estamos nos acomodando a viajar para um lugar conhecido, onde já nos sentimos "seguros". Isso é até um reflexo psicológico da minha família, inclusive eu, que passei por depressão e me considero em recuperação até hoje. O seguro sempre parece ser mais "acolhedor" que o desconhecido. Por isso que termos ido para da primeira vez foi um evento tão importante.

Mas nesse texto, eu queria focar nas diferentes pousadas que ficamos nessas 3 visitas a cidade, e talvez ajudar a alguém que pensa em ir para lá. Principalmente, quero deixar claro que as minhas avaliações são pessoais. Outras pessoas podem ter gostado do que não gostei e não gostado do que gostei. E mesmo falando dos defeitos de cada uma (uma em especial, como vocês irão ver), nenhuma eu NÃO gostei. Apenas gostei MENOS. Outra coisa, ficamos em quartos simples, não em suítes, por exemplo.
Muito bem, eu vou focar em 6 itens, dando nota de 0 a 5: Localização, Conforto, Acomodações, Café da Manhã, Serviço e Preço.
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Em 2011 e 2012 ficamos na Eclipse que fica logo no início de Paraty. Saindo da Rodovia Rio-Santos, entra-se na Avenida Roberto Silveira, a avenida principal da cidade. Logo na entrada da avenida é possível ver a Eclipse, uma grande pousada amarela (que na verdade fica na rua dos Ingás). Como a última vez que fui lá foi há dois anos, das três pousadas que vou comentar, essa é a que mais posso esquecer de citar alguma coisa (e as coisas que vou citar podem ter mudado).
O que não mudou é a localização, que se você não tem carro, é o principal defeito da pousada. Ela fica no já citado início da avenida principal da cidade, isso quer dizer 1 Km até o centro comercial e 2 Km até o Centro Histórico — ou seja, uns 20 minutos a pé. Você pode pegar um ônibus, mas, além da espera, vai gastar dinheiro na passagem. Se você tem carro, ou vai alugar um, o problema diminui consideravelmente.
Em frente da pousada há uma quadra de tênis que sempre quis jogar, mas se eu não me engano a quadra era pública e na pousada não tinha raquetes e bola. Posso estar enganado.
Localização: Nota 3

A pousada é bem confortável e tem um ambiente gostoso. Tem uma boa piscina e wi-fi (não lembro se pega nos quartos). Mas uma coisa que falta em relação a outras duas é um salão ou sala com sofás e TV para se poder ficar, conversar etc.
Conforto: Nota 4

Os quartos são ótimos. Das três que fiquei, acho que é a que tem o maior quarto. Tem ar condicionado, ventilador, e TV de tubo com alguns canais a cabo (não tinha tantos canais). O banheiro, como todas, não é grande, mas não se fica apertado. O chuveiro, se me lembro bem, é com aquecimento central.
Acomodações: Nota 4

O serviço é bom. Às vezes não saíamos de manhã e as roupas de cama eram trocadas à tarde (o que não aconteceu na Canoas). Algo que é muito bom é que se pega as garrafas de água, e quantas quiser, logo na recepção. Não precisamos fazer um pedido lá e esperar que levem no nosso quarto. Porém, das vezes que eu fui, a cantina não fazia janta (como na Canoas e do Príncipe), apenas lanche como sanduíches.
Serviço: Nota 4

O café da manhã é excelente. Tem de tudo. Bolos, pães, frios, biscoitos, frutas, sucos, leite, café e iogurtes. Café da manhã: Nota 5

Das três, a Eclipse é a mais barata. Talvez por conta de sua localização, mais longe do centro.
Preço: Nota 5

Site: http://www.pousadaeclipse.com.br/
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Na nossa última viagem ficamos em duas pousadas: 4 dias na Canoas e 1 dia na do Príncipe.

Não querendo desmerecer o Hotel Pousada das Canoas, foi o que eu menos gostei de cara. Logo que fomos lá para pegar informações há dois anos, achei o lugar meio "fechado" e escuro por conta das muitas árvores e plantas que encobrem o local. Eu gosto da natureza tanto quanto você que está lendo, mas eu tive uma impressão negativa. Eu nem queria ir para lá, mas acabei indo. Mesmo sendo a que eu menos gostei, de maneira nenhuma digo que não voltaria lá — e nem desencorajo alguém a ir. EDIÇÃO: Retornamos a Paraty e passamos 4 dias na pousada, e a impressão foi completamente diferente, tanto do quarto, como do serviço.

A pousada (ou hotel pousada como se definem) é pertinho da rodoviária. Dá pra ir andando com as malas. Ela fica muito bem localizada bem no centro comercial e a 5 minutos do Centro Histórico. Indo para qualquer direção, você terá uma imensa quantidade de restaurantes e lojas.
Localização: Nota 5

Ao contrário da Eclipse, a Canoas tem uma sala de jogos com TV e sofás, onde o sinal Wi-fi é bem forte. Além disso, a pousada tem um computador disponível para os hóspedes de graça, 24 horas por dia. É um diferencial em relação as outras. Apesar da conexão não ser tão rápida, consegui ver um vídeo no Netflix numa qualidade decente. A piscina é legal, embora não tenha entrado.
Update: Quando voltamos, estava sendo instalado na pousada vários modens que possibilitariam que a internet sem fio pegasse em todos os quartos. Até fazermos check out, o serviço ainda não estava funcionando completamente, mas com certeza é uma iniciativa louvável que melhorará a estadia dos clientes.
Conforto: 4

O que mais me incomodou foi o quarto. Parece meio velho, não tem ventilador (só ar condicionado), o único interruptor que acende a luz do quarto fica na entrada dele, que é longe das camas (nas outras duas pousadas tinha interruptores bem próximos das camas), o banheiro que já tem um tom escuro tinha uma lâmpada queimada, o jato do chuveiro (elétrico, não gosto) apontava contra a parede em que o chuveiro se encontrava. Se eu quisesse pegar um jato forte tinha que ficar encostado na parede, e mesmo assim não conseguia direito. Essas pequenas coisas acabam incomodando, ainda mais alguém como eu, que presto atenção nessas coisas ou, simplesmente, sou chato (existem muitos como eu). A TV era de tubo e não muito nova. Tinha alguns canais a cabo, mas nenhum realmente chamativo. De filmes tinha apenas FOX e Universal, que são canais especializados em séries. Porém, gostei de algo que os outros não tinham: uma varandinha com rede. Depois de sairmos de tarde, voltávamos para a pousada e eu ia para a rede ler um livro até anoitecer. Eu realmente gostava disso.
Update: Dessa vez ficamos num quarto bem melhor em frente a piscina. Pela localização, percebe-se que é bem mais barulhento, porém mais confortável. O banheiro era menor que o outro, mas também era melhor e um pouco mais claro. Mas o que mais senti falta era a varandinha com a rede, que não tinha nesse quarto. Como vocês podem perceber, nada é perfeito.
Acomodações: Nota 3 (Nota 4 pela 2ª estadia)

Tudo bem que camareiras costumam arrumar e limpar os quartos de manhã, mas nem todos os hóspedes saem de manhã. Eu gosto de dormir de manhã e sair de tarde. E só lá pro terceiro dia uma camareira foi arrumar o quarto, porém não levou toalhas novas (até o quarto dia continuamos usando as do primeiro dia, que já estavam bem úmidas), nem papel higiênico. Se minha tia não tivesse levado um de casa, como sempre faz, teria que ter pedido na recepção, o que poderia ser meio desconfortável. Água tinha que pedir na recepção, e então alguém ia levar no seu quarto. Certo dia pedi de manhã e até a noite não tinham entregado. Aí comecei a comprar água na farmácia ali perto (que é bem mais barato). Uma coisa boa é que na recepção você pode se inscrever em passeios de escuna, jipe e essas coisas. Você não precisa ir nas agências.
Update: Olha, ou o serviço melhorou MUITO num período de 1 mês, ou o problema é com a localização dos quartos (o quarto que ficamos da primeira vez é realmente um pouco mais "isolado" do que os "principais"). Se for a segunda alternativa, é um erro oferecer um bom serviço a alguns quartos e um serviço relaxado a outros, independente da localização. Dessa vez tivemos ótimo serviço de quarto, as camareiras arrumaram e limparam o quarto todo dia, e a tarde — horário que todos nós saíamos. Toalhas limpas também eram sempre deixadas.
Serviço: Nota 2 (Nota 5 pela 2ª estadia)

O café da manhã é muito bom. Assim como na Eclipse, não falta nada (mas na Eclipse ainda tem mais variedades de bolos). Uma coisa boa que não tinha na Eclipse é ovo mexido, que eu gosto muito. Fica bem gostoso colocar dentro do pão, com queijo e presunto.
Café da manhã: Nota 5

Dentre as três, a Canoas é a intermediária. Mais cara que a Eclipse, e mais barata que a do Príncipe. Os preços das refeições oferecidas na cantina são bem em conta (mas eu não as experimentei).
Preço: Nota 4

Site: http://www.redehoteis.com.br/canoas/
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Não tendo gostado muito da Canoas, consegui convencer a minha tia de passar o último dia na Pousada do Príncipe para experimentar. E valeu a pena. Gostamos muito.

A pousada fica praticamente do lado da Canoas, cercada por lojas e restaurantes, então a localização nem muda muito.
Localização: Nota 5

Logo que se entra na pousada, temos a recepção que é tipo um lobby. Dali se sobe para os quartos de cima. Mas, como sempre, ficamos em baixo. Depois do lobby tem uma sala de estar com vários sofás, poltronas, TV — esse ambiente é o melhor dentre as pousadas que fui —, e depois a bela piscina (o wi-fi pega nessa área). Ficamos num quarto bem em frente a ela.
Conforto: Nota 5

O quarto é claro, além de ter três diferenciais: as camas têm dois travesseiros bem confortáveis (nas outras há apenas um), na janela há tela mosquiteira e a TV é LCD, com vários canais bons que não têm nas outras pousadas, como Telecine Premium e Max. Eu não gostei muito do banheiro, pois na verdade ele é apenas uma salinha pequena com o vaso sanitário — se você não é pequeno, pode encontrar dificuldade em se mover. O lavatório e o box são separados do restante do quarto por uma parede, porém não há porta no box (que é em frente ao lavatório). Além de molhar o chão, se alguém passar pelo corredor que existe entra as camas e a porta do quarto, poderá ver a pessoa tomando banho. Tudo bem que quem está com você no quarto irá respeitar sua privacidade, mas não deixa de ser um pouco incômodo.
Acomodações: Nota 4

Eu não posso falar muito do Serviço da Pousada do Príncipe pois só fiquei um dia. Mas eles tem serviço de Bar e Restaurante para quem não quiser comer fora. E uma qualidade da pousada é que ela oferece toalhas para a piscina, enquanto nas outras o hóspede tem que usar a sua (e se não levar, volta molhado pro quarto). Outra coisa legal é que a pousada deu uma cesta de frutas de cortesia pelo aniversário da minha tia. Não sei se as outras fazem isso, mas vale a citação.
Serviço: Nota 5 (avaliação pelas 24 horas que fiquei)

O café da manhã é bem parecido com os das outras pousadas. Muito bom, mas aqui perde um ponto por não ter suco de frutas, apenas refresco. Em todas as outras pousadas há pelo menos dois sabores de sucos.
Café da da manhã: Nota 4

A Pousada do Príncipe é a mais cara dentre as três — em média R$40 a mais que a Canoas. Mas se você quiser mais conforto, a minha opinião é que vale a pena.
Preço: Nota 3

Site: http://www.pousadadoprincipe.com.br/
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Me pediram para falar um pouco sobre os gastos na cidade então vou dar uma resumida, baseado na minha estadia.

Restaurantes: 
Há restaurantes de todos os tipos e preços. Dos que eu fui, como os ótimos Paraty ou Chafariz, um prato para duas pessoas fica em média entre R$35 e R$45. Para uma pessoa, obviamente, é mais barato. Mas não TÃO mais barato. Por isso é bom você ir acompanhado, pois sairá mais em conta. E pratos como o Filet Mignon Oswaldo Aranha (R$ 66,40), do Chafariz, chegam a dar para 3 pessoas, pela quantidade dos acompanhamentos e pelo tamanho das duas carnes (acredite, são grossas e grandes). Para quem prefere peixe, tem o Peixe a Doré (R$24,70).
Há restaurantes self service também, como o Sabor da Terra e o KomaKilo.

Uma coisa que falta nos restaurantes da cidade é sobremesa que, quando é oferecida, é um doce de banana ou outro doce muitas vezes já pronto. Mas há muitas opções para quem quiser comer algo doce, principalmente no Centro Histórico. Desde os famosos vendedores de doces em carrinhos, que vendem a R$ 4 o pedaço (que não é tão grande), a cafeterias com sobremesas mais requintadas — como o Café Tricolore, do Café Pingado, vendido por R$7,50. Há também a Mar e Vi Doceria que vende generosos pedaços de tortas a R$ 5. Vale muito a pena. As tortas são maravilhosas (recomendo a de paçoca).

Como apaixonado por pizza que sou, aproveito para citar algumas pizzarias em Paraty. Há a Pizzaria da Cidade, Viva La Pizza, e a que eu mais gostei: MamaMira. Uma pizza grande, na média de R$32, dá tranquilo para 3 pessoas (eu fui com mais uma e sobrou). Vale a pena visitar outros dois restaurantes também: Esfiharia e Cervejaria Emirados (grande variedade de esfihas e beirutes, com ótimos preços), e o Batata Imperial (vários sabores de batata rostie ou recheada, também com preços bem em conta).

Passeios:
Sendo localizada na Costa Verde, Paraty oferece incontáveis opções de passeios. Várias praias, ilhas, trilhas e cachoeiras, que você pode ir de ônibus, carro, táxi, ou jeep com um grupo de pessoas. Há uma opção de passeio de Jeep que te leva a várias cachoeiras, trilhas, alambiques, uma fazenda histórica e ao orquidário. É um passeio legal, mas como é longo (sai de manhã, volta mais pro fim  da tarde), a pessoa tem que estar bem animada.

Um passeio de escuna com música ao vivo e bar sai a R$40 por pessoa. O passeio para em algumas ilhas, onde é permitido aos passageiros entrarem na água para curtir o lugar. Mas se você quiser algo mais individual, dá para alugar um barco no porto ou perto da ponte que separa o Centro Histórico da Praia do Pontal. Os preços vão de R$50 a R$70/hora. Os barcos perto da ponte costumam ser mais baratos. Não é tão pomposo como o passeio de escuna, mas também é muito bonito e, claro, seguro. Se você tiver mais dinheiro, também pode alugar uma lancha por "meros" R$400. A praia mais perto do Centro Histórico é a do Pontal, que é pequena e apesar de não ser feia, não se compara a outras um pouco mais longes como Jabaquara, São Gonçalo ou as da região de Trindade.
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É isso. Espero ter ajudado. Quem tiver alguma dúvida, pode perguntar nos comentários que respondo se puder.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mama

★★★☆☆
Bom

Talvez uma das produções de terror mais esperadas do ano, "Mama" provém de um curta feito por Andrés Muschietti em 2008 chamado "Mamá". O assustador vídeo de 3 minutos (pode ser visto aqui), que é basicamente duas irmãs fugindo de um ser amedrontador, chamou a atenção de um dos maiores nomes do gênero de terror dos dias atuais. O roteirista, diretor e produtor Guillermo del Toro resolveu bancar a versão completa da história imaginada por Muschietti, que seria responsável pelo roteiro (junto com sua irmã, Barbara, e Neil Cross) e pela direção.

Mas em vários momentos do filme vemos a mão de Del Toro, inclusive nos créditos iniciais, onde há uma arte que já virou uma marca sua, ou o próprio desdobramento da trama, em que as possibilidades de um final feliz vão diminuindo.

Na trama, depois de matar seus dois sócios e sua ex-mulher num ato de desespero, Jeffrey (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game Of Thrones) foge sem destino com suas duas filhas, Victoria e Lily, até que eles sofrem um acidente na estrada e vão parar numa cabana abandonada. Cinco anos mais tarde, os detetives contratados por Lucas, irmão gêmeo de Jeffrey, finalmente conseguem encontrar as meninas, que dizem ter sobrevivido com a ajuda de Mama. Elas vão morar com Lucas e sua namorada, Annabel (Jessica Chastain, "A Hora Mais Escura"), mas algo a mais acompanha as meninas ao novo lar.

Foi importante o mesmo roteirista e diretor do curta ser o responsável também pelo longa, mas nota-se a sua falta de experiência — antes de Mama, ele só tinha feito dois curtas. Criar uma história e todo um universo em torno de um curta de 3 minutos, é muito mais complicado. Como exemplo posso citar a super exposição da Mama na 2ª metade do filme, pessoalmente (tentam humanizá-la, ou pelo menos sua figura humana) e visualmente — sim, todos queremos ver a cara de um monstro/espírito, mas se isso é exposto demais, perde o efeito amedrontador, e é o que acontece no filme. Outro exemplo é o personagem Lucas, que parece perdido no filme. Depois que ele vai pro hospital, perde sua relevância na trama. O sonho em que o irmão o manda ir ao lugar onde tudo aconteceu, não tem valor narrativo algum, mesmo que seja uma sequência esteticamente interessante — o sonho de Annabel, sim, serve tanto para fins narrativos quando para estéticos pois, visualmente ainda mais poderoso, vemos por uma câmera subjetiva a história de Mama. Se Lucas não tivesse ido onde a ação se desenrola no terceiro ato do filme, não mudaria nada na história. Só serviu para ele se reunir com a Annabel que iria para lá de qualquer jeito. Se o personagem dele morresse, não faria a mínima diferença.


Mas há muitos prós no filme. A sacada dos óculos de Victoria foi excelente. Eles representam a ligação dela com o universo "material". A primeira vez que ela vê Mama está sem eles (talvez até por isso não tenha ficado assustada). E durante o decorrer do filme, quando ela já mora com Lucas e Annabel e, o mais importante, os aceita, está sempre com eles. Mas quando Mama aparece ela os tira, pois não quer vê-la como realmente é. Lily, que era muito pequena quando conheceu Mama (e mesmo 5 anos depois não entende o perigo), não tem mais essa ligação com o nosso mundo. Quando conhece Mama, a aceita como protetora e a partir daí, não volta atrás.

O filme também tem suas cenas engraçadas, inclusive apostando no elemento sobrenatural. Numa delas, bem inteligente visualmente, o diretor faz quase um Split screen mostrando na mesma tela duas ações diferentes. À esquerda vemos Annabel fazendo seus serviços de casa, enquanto à direita vemos um a parte do quarto das meninas, onde Lily brinca com Mama (que não é vista), que a faz flutuar.

Andrés Muschietti mostra que tem um bom conhecimento em linguagem visual, fazendo um filme com cenas belas e assustadoras onde a atmosfera de suspense (que vem do curta) permanece na maioria do longa, mas que precisa de mais experiência como roteirista, se ele quer seguir na atividade.


No geral, eu confesso que esperava mais de "Mama". O filme se sustenta bem como uma produção de Terror, mas no momento em que tenta levar pro Drama e ser original, falha. O final não irá agradar a todos, mas a verdade é que os problemas começam já na segunda metade do filme, que é onde os problemas no roteiro começam a ficar mais visíveis.
Porém, mesmo com suas falhas, o filme está longe de ser ruim. É muito bem produzido, tem uma boa fotografia e trilha sonora, e dá bons sustos.
Eu recomendo um outro filme que o Guillermo del Toro produziu: O Orfanato (2007). Acho o melhor (ou pelo menos um dos melhores) filme de terror latino dos últimos anos.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Caça

★★★★☆
Ótimo


"A Caça", novo trabalho do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, é um belo e forte filme dinamarquês sobre como uma mentira pode destruir a vida de um homem.

Lucas (Mads Mikkelsen, de "Casino Royale" e da série recém estreada "Hannibal") trabalha num jardim de infância e é adorado pelas crianças. Apesar de estar se divorciando, recebe a boa notícia que seu filho quer morar com ele. Além disso, começa a namorar a bela Nadja. Sua vida parece estar melhorando consideralvemente, mas uma acusação de pedofilia vai fazer tudo virar de cabeça para baixo.
A pequena Klara, filha do melhor amigo de Lucas, não recebe muita atenção em sua casa (até a acusação ser feita, a menina nunca é vista recebendo demonstração de afeto de seus pais, que constantemente a perdem) e costuma ir e voltar da escola acompanhada por Lucas. Ela acaba encontrando nele uma figura protetora que não vê em seus pais. Numa brincadeira na escola, ela dá um beijinho na boca de Lucas, que sem saber o que fazer, a repreende gentilmente. Se sentindo rejeitada, ela inventa uma mentira sobre ele para a diretora, Grethe que, a príncipio, acha difícil acreditar, mas acaba aceitando a palavra de Klara, por não ver razão nela estar mentindo. A partir daí as suspeitas em torno de Lucas aumentam e sua vida vira um inferno.

O diretor e co-roteirista Thomas Vinterberg (Tobias Lindholm também assina o roteiro) consegue fazer com que um elo muito forte se crie entre nós, espectadores, e o personagem principal já que, além de nós, só o próprio protagonista e seu filho acreditam em sua inocência. Nos sentimos testemunhas de seu sofrimento, e vítimas da inocência de uma criança.


O pior é que não dá para culpar o agente principal da confusão, pois ele é uma criança que não tem consciência da consequência de seus atos. Nem os pais. Acho que qualquer um de nós ouvindo tal denúncia de um filho, se sentiria inclinado a acreditar nele. O que muda seria a forma como trataria o suposto criminoso — se não o agredissem pelo menos o olhariam "torto". Se fosse para apontar um culpado, talvez seria o irmão mais velho de Klara, que ao mostrar para ela (mesmo por alguns poucos segundos) uma imagem pornográfica, tirou sua inocência (ela ficou com a imagem na cabeça), e indiretamente apertou o gatilho que causou tudo isso.

Discutindo um assunto difícil que sempre causa revolta e comoção, "A Caça" nos permite desde o início enxergar o "quadro completo", como se estivéssemos vendo o filme do alto, cientes da inocência de Lucas. Mas cabe a pergunta: como reagiríamos diante de um caso parecido em que não tivéssemos total consciência dos fatos?
Falar em pré-julgamento quando não é a segurança do seu filho que está em jogo é fácil.
Como muitos, eu tento sempre me manter cauteloso com acusações sem provas (ainda mais em tempos de guerra de palavras na internet), mas em situações "extremas" não posso dizer com certeza qual seria a minha reação. É como reagir a um assalto sabendo que não se deve fazê-lo. Quando algumas situações se tornam pessoais, nem sempre seguimos o que temos como o certo.


Vale destacar as atuações impecáveis do elenco do filme, principalmente de Mads Mikkelsen e da garotinha Annika Wedderkopp. Ela me convenceu em cada momento. O elenco de apoio faz um bom trabalho, especialmente Thomas Bo Larsen (que tem uma curiosa semelhança com John Hurt) e Susse Wold.

"Jagten", no original, já desponta como um dos melhores dramas de 2013. Thomas Vinterberg faz um filme difícil que consegue tocar o espectador e ainda o fazer refletir sobre o que foi visto na tela, até porque, no final, a história de Lucas não é apenas sobre tragédia, mas também sobre perdão.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

[Curtas] O Poder E A Lei

★★★★☆
Ótimo

Filmaço. Algumas pessoas podem achar um pouco chato por se passar muito tempo no tribunal, mas para quem gosta vale muito a pena.

A trama é inteligente e o roteiro consegue facilitar o entendimento das questões legais sem soar didático demais, além de amarrar bem a maioria das pontas da história — [selecionar o texto a seguir para ler o spoiler] (só achei sem sentido nem passar pela cabeça de Mick que outra pessoa, a mando de Roulet, poderia ter matado Levin). .

A direção aposta em planos fechados no rosto dos personagens, coisa que eu não sou muito fã, mas que ajuda a tornar o filme mais "pessoal", aproximando mais (literalmente) os personages do público. Esses primeiríssimos planos também servem para mostrar a mudança no semblante de Mick Haller, o protagonista, no decorrer do filme, com suas olheiras ficando cada vez mais fundas ao passo que ele vai se afundando no caso.
Achei muito interessante também o dilema moral criado no filme. A príncipio o personagem de Mick é retratado como um advogado sem escrúpulos, que faz tudo para ganhar e só pensando no dinheiro. Mas aos poucos vamos vendo que ele realmente tem uma consciência e quer fazer a coisa certa. Como ele mesmo fala, após tantos anos defendendo criminosos, ele não consegue mais acreditar na inocência, mesmo alegando que seus cliente são inocentes. Ele é um personagem em conflito com seus ideais e ações, longe de ser perfeito herói. Apenas humano.
Mick Haller é um ótimo personagem. E Matthew McConaughey o interpreta de maneira competentíssima. Grande atuação.

"O Poder E A Lei" é um dos melhores filmes sobre crimes que vi recentemente.